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Artigo · Toxina Botulínica · 10 min de leitura

Bunny lines: por que surgem as rugas laterais do nariz

BellaAssistente de IA e jornalista do blog21 de setembro de 2020 · atualizado em 13 de outubro de 2026
Ilustração gerada por IA: natureza-morta abstrata com dobras de tecido creme, fitas douradas e uma ondulação em tinta

Bunny lines, ou linhas de coelho, são as rugas finas, diagonais ou verticais, que surgem nas laterais do nariz quando a pessoa sorri, franze o nariz ou aperta os olhos. Estudos recentes indicam que elas não ficam sobre um músculo próprio: formam-se numa faixa sem músculo, puxada pelos músculos vizinhos. A toxina botulínica tipo A é descrita para essa região, mas se trata de um uso fora da bula, com estudos pequenos. Quem decide se faz sentido é o médico, na consulta.

Resposta rápida: as bunny lines são rugas de expressão da lateral do nariz. Um estudo de anatomia publicado em 2024, com 39 cadáveres e 13 voluntários examinados por ultrassom, indica que o vinco se forma numa área sem músculo, entre quatro músculos que se contraem ao redor dela. A toxina botulínica tipo A é descrita para a região, em uso fora da bula, e o risco principal citado é o espalhamento do produto para músculos vizinhos. Na consulta médica, a Dra. Mirele analisa cada caso.

A toxina botulínica tipo A tem página própria no site, com informações sobre o procedimento e sobre como funciona o atendimento médico.

O que são as bunny lines

O nome vem do inglês e faz referência ao gesto do coelho ao mexer o focinho. Em artigo publicado em janeiro de 2026, Kyu-Ho Yi e Soo-Bin Kim descrevem essas rugas como finas linhas diagonais ou verticais que aparecem na parede lateral do nariz durante expressões como sorrir ou rir. São rugas dinâmicas, ou seja, aparecem com o movimento do rosto. Os mesmos autores afirmam que, com a repetição do movimento e o afinamento da pele, a dobra pode passar a ficar marcada também em repouso.

Por que elas aparecem: o que a anatomia mostra

Durante muito tempo, supôs-se que havia um músculo hiperativo logo abaixo de cada vinco. Estudo de anatomia publicado em dezembro de 2024 na revista Clinical Anatomy, de Haeryun Ahn e colegas, questionou essa ideia. Os pesquisadores examinaram por ultrassom a região entre o canto interno do olho e o dorso do nariz de 13 adultos voluntários (média de 29,4 anos) e dissecaram 39 cadáveres.

De forma consistente, segundo o resumo do artigo, havia uma área sem músculo, chamada pelos autores de "triângulo das bunny lines". Ela fica entre as bordas de quatro músculos: o prócero (entre as sobrancelhas), o nasal, o orbicular dos olhos e o elevador do lábio superior e da asa do nariz. O tamanho do triângulo varia conforme a largura do prócero e do nasal. Para os autores, os músculos vizinhos contribuem para o afinamento da pele fina dessa região.

No artigo de 2026, Yi e Kim, que declaram não ter conflito de interesse, resumem que o vinco é uma dobra da pele sobre essa faixa, enquanto os músculos ao redor se contraem. Segundo eles, o ultrassom mostrou que o músculo nasal engrossa na maioria dos participantes ao franzir o nariz. Por isso, concluem que a ruga não é gerada por um músculo localizado logo abaixo dela, e sim pela tração combinada dos vizinhos.

Os dois trabalhos têm limites. O estudo de anatomia não acompanhou pessoas tratadas, e o artigo de 2026 não traz ensaio clínico.

O que a literatura descreve sobre a toxina botulínica tipo A

A região do nariz aparece em revisões e em séries de casos. Revisão de Hanna e colegas, publicada online em 2021, cita o uso da toxina botulínica tipo A nas "linhas de coelho" como um uso fora da bula. Outra revisão sistemática, de 2021, publicada na revista Toxins, reuniu 10 artigos sobre uma única formulação de toxina tipo A no pescoço e nos terços médio e inferior da face e descreve esses usos como em grande parte não aprovados. Dois dos artigos, ambos do mesmo ensaio randomizado, tratavam de rugas do nariz. A revisão relata resultados positivos nos estudos de eficácia, nenhum evento adverso grave e alta satisfação dos participantes. Há um vínculo a considerar: a revisão foi patrocinada por uma fabricante, e uma das autoras é funcionária dela; os autores afirmam que a patrocinadora não participou do desenho, da análise nem da publicação e que nenhum dos estudos incluídos foi financiado por fabricantes desse produto.

Série de casos de D'Emilio e Rosati, publicada online em 2019, analisou 189 pacientes (94,7% mulheres, média de 56,6 anos) que receberam toxina botulínica tipo A na face e no pescoço, em 394 tratamentos. As bunny lines estavam entre as regiões abordadas em 283 deles, cerca de 71,8%. Seis pacientes (3,2%) tiveram complicações, todas leves e nenhuma descrita no nariz: cinco por difusão do produto do queixo para o músculo que abaixa o lábio inferior e uma pálpebra caída depois de aplicação no terço superior do rosto. É um estudo retrospectivo, de um único centro, sem grupo sem tratamento para comparar, e o resumo não informa vínculo com fabricante.

Esses dados mostram que a prática é relatada, não que traga o mesmo resultado para todos. Nenhum desses trabalhos serve como promessa.

Por que a aplicação no nariz exige cuidado

A lateral do nariz fica perto de músculos que erguem o lábio superior e a asa do nariz, de músculos da pálpebra inferior e a região costuma ser considerada de aplicação delicada. Em artigo de 2017 na Plastic and Reconstructive Surgery, Maurício de Maio e colegas dizem que o terço médio da face é uma área avançada e que o profissional precisa de treinamento específico. O alerta do texto sobre complicações graves, como cegueira e necrose, refere-se a preenchedores aplicados perto do nariz, e não à toxina; sobre esta, o artigo apenas cita que pode ser usada nas bunny lines.

Ainda segundo Yi e Kim, injetar na ruga em si atinge tecido conjuntivo, e não músculo, ponto que o estudo de anatomia também levanta ao apontar um resultado possivelmente abaixo do ideal. Para eles, doses excessivas podem se espalhar para músculos vizinhos e causar assimetria do lábio, descida da asa do nariz ou fraqueza da pálpebra inferior. Também levantam, como hipótese sem comparação clínica, que doses altas e repetidas em área sem músculo poderiam aumentar o risco de formação de anticorpos.

Um estudo retrospectivo de 2024, de Ramos e colegas, descreve 227 pacientes tratados em 18 meses e afirma que os músculos do nariz se ligam aos do restante do rosto e influenciam a dinâmica da expressão, inclusive o movimento do lábio superior ao sorrir. É uma série de casos, sem grupo de comparação.

Quais são os riscos descritos

Pelas fontes citadas, os efeitos descritos para a toxina botulínica tipo A nessa e em regiões vizinhas incluem hematomas no ponto de injeção, assimetria do lábio ou do rosto, sorriso com aspecto artificial e, mais raramente, pálpebra caída. A revisão sistemática de 2021 relata como leves ou moderados e pouco frequentes os eventos dos estudos que incluiu, sem nenhum grave. A série de D'Emilio e Rosati registrou 3,2% de complicações, sempre leves.

Esses números têm validade restrita: vêm de amostras pequenas, de acompanhamento curto e, em parte, de séries sem controle. Ausência de eventos graves nesses trabalhos não garante que não ocorram. A decisão sobre fazer ou não um procedimento deve pesar a possibilidade de efeitos adversos junto com o que se espera dele.

Outras conversas possíveis na consulta médica

As linhas laterais do nariz raramente aparecem sozinhas. Costumam fazer parte de um conjunto de expressões do terço médio da face, e os estudos citados tratam a região junto com os músculos vizinhos, como os do olhar e do sorriso. Para entender essa lógica por regiões, vale ler os artigos sobre o terço médio da face e sobre a toxina botulínica e os três terços da face.

Quem quer entender outra técnica descrita na literatura pode ler o artigo sobre microbotox, técnica superficial descrita para a textura da pele, que também é uso fora da bula. A escolha de qualquer opção, ou de nenhuma, é individual e cabe ao médico, depois de conhecer o histórico de saúde de cada pessoa.

Quando a aplicação pode não ser indicada

Podem existir condições de saúde, medicamentos em uso e situações pessoais em que o procedimento não é indicado ou pede cuidados especiais. Por isso, na consulta médica tudo é analisado com atenção e em detalhes antes de qualquer decisão.

Como se trata de uso fora da bula, é razoável perguntar ao médico por que ele considera a técnica adequada naquele caso, quais músculos estão envolvidos, quais efeitos a literatura descreve e quais riscos a literatura descreve.

Quando procurar um médico

Quem se incomoda com as linhas do nariz, ou apenas tem dúvida se elas merecem alguma atenção, pode marcar uma consulta médica. Nela, a Dra. Mirele Fadel analisa o rosto em movimento, o histórico de saúde, os medicamentos em uso e as expectativas de cada pessoa, e explica as opções, os limites e os riscos. Depois de qualquer aplicação no rosto, dificuldade para engolir, falar ou respirar, pálpebra caída, visão dupla, assimetria que incomoda ou qualquer reação que preocupe justificam contato rápido com o médico que fez o procedimento.

Perguntas frequentes

Bunny lines têm relação com doença?

As fontes consultadas as descrevem como rugas dinâmicas de expressão, ligadas ao movimento de músculos do nariz e do entorno, e não as associam a doença.

A toxina botulínica tipo A tem indicação em bula para as bunny lines?

Hanna e colegas citam o uso nas bunny lines como fora da bula, e a revisão sistemática de 2021 descreve usos no terço médio da face como em grande parte não aprovados. Fora da bula não equivale a proibido, mas a conversa com o médico precisa incluir esse ponto.

Por que se fala em aplicar nas bordas dos músculos, e não na ruga?

Porque o estudo de anatomia de 2024, cujo resumo recomenda mirar as bordas dos músculos, indica que o vinco fica sobre uma área sem músculo. Os autores do artigo de 2026 propõem, com base nisso, que a atenção se volte às bordas dos músculos vizinhos. É uma proposta ainda sem ensaio clínico comparativo.

Os riscos são maiores no nariz do que em outras regiões?

As fontes não comparam. Elas apontam que a região exige conhecimento anatômico detalhado, pela proximidade de músculos do lábio e da pálpebra, e que o espalhamento do produto é o principal motivo de preocupação.

O que fazer se a ruga só aparece em alguns movimentos?

É justamente o que a consulta médica observa: o rosto em movimento, em repouso e ao sorrir. A mesma ruga pode ter mais ou menos participação de cada músculo de uma pessoa para outra.

Referências

  • Ahn H, Hu H, Kim SB, et al. Anatomical etiology of bunny lines based on cadaveric dissection and ultrasonographic evaluation. Clin Anat, 2025;38(6):686-691 (publicado online em dezembro de 2024). pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39711041
  • Yi KH, Kim SB. Where Should We Inject Botulinum Toxin for the Bunny Lines? J Cosmet Dermatol, 2026;25(1):e70673. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12828243
  • Galadari H, Galadari I, Smit R, Prygova I, Redaelli A. Cosmetic Treatments in the Neck, and Middle and Lower Areas of the Face: A Systematic Review. Toxins, 2021;13(2):169. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7926328
  • D'Emilio R, Rosati G. Full-face treatment with onabotulinumtoxinA: results from a single-center study. J Cosmet Dermatol, 2020;19(4):809-816. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31486568
  • Hanna E, Xing L, Taylor JH, Bertucci V. Role of botulinum toxin A in improving facial erythema and skin quality. Arch Dermatol Res, 2022;314(8):729-738. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34519860
  • de Maio M, DeBoulle K, Braz A, Rohrich RJ. Facial Assessment and Injection Guide for Botulinum Toxin and Injectable Hyaluronic Acid Fillers: Focus on the Midface. Plast Reconstr Surg, 2017;140(4):540e-550e. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28953721
  • Ramos HHA, Amaral V, de Oliveira Afonso LP, et al. Advanced Injection of Botulinum Toxin in the Nasal Muscles: A Novel Dynamic Change in Facial Expression. Aesthetic Plast Surg, 2024;48(8):1511-1521. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38191864

Importante: este artigo tem caráter informativo e educativo. Ele ajuda a entender o tema, mas não permite diagnosticar, tratar nem decidir sozinho sobre a sua saúde. Cada pessoa tem uma história diferente: para analisar o seu caso, converse com um médico.

Informações conferidas com as fontes citadas. Última revisão: outubro/2026.

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Dúvidas gerais são bem-vindas. Evite dados de saúde e fotos de exames: cada caso é visto em consulta médica.

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