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Artigo · Beleza · 10 min de leitura

Terço médio da face: o que muda com o tempo e os riscos

BellaAssistente de IA e jornalista do blog21 de setembro de 2020 · atualizado em 13 de outubro de 2026
Ilustração gerada por IA: natureza-morta abstrata com arcos de pedra clara e um anel dourado sobre tecido azul-tinta

O terço médio da face vai da linha das sobrancelhas até a base do nariz e reúne as bochechas, a região malar (a "maçã do rosto"), o sulco que desce do nariz à boca e o próprio nariz. É uma área em que várias estruturas se somam: osso, gordura, ligamentos, músculos e pele. Segundo a literatura médica, todas elas se modificam com a idade, em ritmos diferentes de uma pessoa para outra. Toxina botulínica e preenchimento com ácido hialurônico são descritos para algumas queixas da região, com limites e riscos que merecem ser conhecidos antes de qualquer decisão.

Resposta rápida: o terço médio é o trecho entre as sobrancelhas e a base do nariz. Revisões de anatomia mostram que, com o tempo, o osso se remodela, os compartimentos de gordura perdem volume, os ligamentos de sustentação cedem e a pele perde elasticidade. A toxina botulínica tipo A é descrita, em uso fora da bula, para o sorriso gengival e para o desenho da ponta do nariz. O preenchimento com ácido hialurônico é descrito para a região malar e para o sulco nasogeniano, e traz risco vascular que exige técnica e conhecimento de anatomia. Na consulta médica, tudo é analisado em detalhe.

Este texto faz parte de uma série sobre os três terços do rosto. O primeiro trata do terço superior, e o último, do terço inferior. Para uma visão geral dos três, há o artigo sobre a toxina botulínica e os três terços da face.

O que compõe o terço médio da face

Segundo revisão sobre a anatomia do rosto que envelhece, publicada em 2016 na Facial Plastic Surgery por Sebastian Cotofana e colegas, o rosto é formado por camadas: osso, ligamentos, músculos, gordura e pele. Os autores afirmam que o envelhecimento acontece em todas elas, mas que o início e a velocidade das mudanças variam entre as estruturas, entre as pessoas e entre grupos étnicos.

Em artigo de 2015 na Clinics in Plastic Surgery, o cirurgião Andrew Jacono e Joseph Rousso descrevem o envelhecimento dessa região como resultado da interação entre o esqueleto ósseo, os ligamentos de retenção, o envelope de partes moles, os compartimentos de gordura e a elasticidade da pele.

Como osso, gordura, ligamentos e pele mudam com os anos

A descrição mais citada na literatura é a de um conjunto de alterações simultâneas. Uma diretriz publicada em 2024 na revista Diagnostics, sobre o uso de ultrassom em injeções estéticas, resume que o terço médio é uma área suscetível à absorção dos coxins de gordura, à reabsorção óssea e à perda de elasticidade da pele, alterações que levam à formação de dobras proeminentes, como o sulco nasogeniano.

Sobre o osso, os cirurgiões Edward Buckingham e Scott Smith escrevem, em revisão de 2020 na Facial Plastic Surgery Clinics of North America, que o envelhecimento resulta da combinação de mudanças na qualidade da pele, da descida dos tecidos pela gravidade, com a ação dos ligamentos de retenção sobre o tecido que desce, e da perda de volume, real ou aparente. Para eles, a causa mais significativa da perda de volume é a remodelação do esqueleto e a perda óssea, que aparece como sombras e concavidades características no rosto.

Jacono e Rousso afirmam que a abordagem costuma exigir mais de uma modalidade, sobretudo quando há perda maior de elasticidade ou esqueleto menos projetado. Essas conclusões vêm de revisões de especialistas e descrevem processos, não o que um procedimento fará em um rosto específico.

Toxina botulínica no terço médio: o que a literatura descreve

A toxina botulínica reduz a contração dos músculos em que é aplicada. No terço médio, os usos descritos concentram-se em duas situações: o sorriso gengival e a ponta do nariz. Ambos aparecem entre os usos fora da bula. Uma revisão sistemática com metanálise publicada em 2026 na Annals of Plastic Surgery, de Morvarid Mehdizadeh e colegas, reuniu 38 estudos sobre usos estéticos fora da bula, com 1.903 pacientes. Entre os objetivos faciais descritos estavam a correção do sorriso gengival, o desenho da ponta do nariz e a redução do alargamento das narinas. A maior parte das intervenções (70,3%) tinha como alvo o terço inferior, e os próprios autores apontam a necessidade de protocolos padronizados.

O sorriso gengival, em que a gengiva aparece em excesso ao sorrir, é o tema mais estudado. Uma metanálise de 2021 na Clinical Oral Investigations, de Aline Zengiski e colegas, reuniu 17 estudos e encontrou redução média de 3,42 mm na exposição da gengiva duas semanas após a aplicação. Os autores relatam que o efeito diminui com o tempo e se aproxima dos valores iniciais em cerca de 24 semanas, e que o resultado foi melhor em exposições de até 4 mm. A variação entre os estudos foi muito alta (heterogeneidade, I² de 97%), o que limita qualquer comparação direta.

Segundo revisão de Carolina Rojo-Sanchis e colegas, publicada em 2023 no Journal of Clinical Medicine, os músculos mais escolhidos nesses estudos foram o levantador do lábio superior, o levantador do lábio superior e da asa do nariz e o zigomático menor. A mesma revisão classifica a literatura disponível como escassa, heterogênea e de baixa qualidade científica, e lembra que há outras formas de abordar o sorriso gengival, como cirurgia ortognática e movimentação ortodôntica, e que o diagnóstico precisa ser individualizado.

A página sobre toxina botulínica explica como funciona o atendimento médico para esse tipo de procedimento.

Preenchimento com ácido hialurônico: regiões descritas e seus limites

O ácido hialurônico é um gel injetável que ocupa espaço nos tecidos. Para o terço médio, a literatura descreve seu uso na região zigomática (a maçã do rosto), no sulco nasogeniano, na região abaixo dos olhos e no nariz. A diretriz de 2024 da Diagnostics, de Roberta Vasconcelos-Berg e colegas, detalha a anatomia de cada uma dessas áreas pelo ultrassom e defende escanear a região antes e durante a injeção para identificar vasos e outras estruturas. Os autores afirmam que a ultrassonografia pode, possivelmente, reduzir riscos como a oclusão vascular, o efeito Tyndall (cor azulada visível sob a pele) e a injeção dentro da glândula parótida.

Um limite importante aparece em revisão de 2024 de Ting-Song Lim e colegas: preenchimentos não conseguem reverter por completo as manifestações do envelhecimento. O artigo descreve a "síndrome do rosto excessivamente preenchido", em que o uso exagerado de produto gera aparência pesada e distorcida, e recomenda análise individual e uso mínimo de produto.

Se parte da mudança vem do osso, dos ligamentos ou da pele, o volume em um ponto não resolve os demais, e essa é uma conversa da consulta médica. A página sobre preenchimento com ácido hialurônico e o artigo sobre o preenchimento com ácido hialurônico trazem mais informações. Quem quer comparar as duas substâncias pode ler a diferença entre toxina e preenchimento.

Riscos: o que a literatura diz sobre o terço médio

O risco mais grave descrito é a injeção acidental dentro de um vaso, que pode bloquear a circulação. A diretriz de ultrassom lembra que o terço médio abriga artérias importantes, como a facial e a angular, além da glândula parótida, o que torna a área propensa a complicações em injeções de preenchimento.

O relatório da Academia Americana de Oftalmologia, publicado em 2025 na revista Ophthalmology, revisou a literatura sobre complicações oculares dos preenchedores. Foram incluídos 19 artigos, todos classificados como nível III de evidência, que somaram 198 casos de perda de visão por injeção intravascular. O ácido hialurônico respondeu por 164 casos (83%). Entre os locais de injeção descritos (226, porque alguns casos tiveram mais de um), o nariz foi o mais frequente, com 90 casos (40%), seguido pela testa (25%) e pela glabela (12%). Nariz, testa, glabela e região frontal somaram 84% dos casos. A visão final ficou inalterada em 137 de 196 pacientes com dado disponível (70%), melhorou em 56 (28%) e piorou em 3 (2%). Segundo o relatório, as condutas tentadas (como a hialuronidase, enzima que desfaz o ácido hialurônico, e a trombólise, medicamento que dissolve coágulos) foram em geral seguras, mas na maioria das vezes não reverteram a perda de visão, e nenhum protocolo baseado em evidências foi estabelecido.

Esses números vêm de relatos de casos publicados: mostram onde os episódios ocorreram, mas não a frequência do problema, porque não informam quantas aplicações foram feitas sem intercorrência. Não são alarme nem garantia, e sim motivo para perguntar ao médico sobre a técnica e o plano de ação diante de uma complicação.

No caso da toxina, a revisão de 2026 sobre usos fora da bula relata complicações mínimas nos estudos analisados. Como o conjunto é pequeno, heterogêneo e sem protocolos padronizados, esse quadro não substitui a conversa individual com o médico.

Quando as intervenções no terço médio podem não ser indicadas

Podem existir condições de saúde, medicamentos em uso e situações pessoais em que o procedimento não é indicado ou pede cuidados especiais. Por isso, na consulta médica tudo é analisado com atenção e em detalhes antes de qualquer decisão.

Como parte dos usos descritos para a região é fora da bula, vale perguntar ao médico por que a técnica é adequada ao caso, que produto será usado e quais riscos se aplicam.

Como é a consulta médica

Na consulta médica, a Dra. Mirele Fadel conversa sobre a queixa, o histórico de saúde, as alergias, os medicamentos em uso e as expectativas, e analisa o rosto em repouso e em movimento. Só depois dessa análise se discute se existe alguma opção, qual seria e quais seus riscos.

Depois de qualquer aplicação na região, alterações visuais, dor intensa, mudança de cor da pele, dificuldade para respirar, engolir ou falar justificam contato imediato com o médico responsável ou com um serviço de urgência.

Perguntas frequentes

A perda de volume da bochecha vem só da gordura?

Não. As revisões citadas apontam o osso, a gordura, os ligamentos e a pele como participantes, e uma delas destaca a remodelação óssea como a principal causa de perda de volume. O peso de cada fator varia de pessoa para pessoa.

A toxina botulínica é descrita para o sorriso gengival?

Estudos descrevem esse uso, que é fora da bula. A metanálise de 2021 relatou redução média de 3,42 mm duas semanas depois, com retorno perto do valor inicial em torno de 24 semanas e grande variação entre os estudos. Não vale como promessa.

O preenchimento pode causar problemas de visão?

Casos de perda de visão foram descritos na literatura depois de injeção acidental dentro de um vaso, com o nariz como local mais citado. O relatório de 2025 afirma que nenhum protocolo baseado em evidências foi estabelecido, e por isso a prevenção e a técnica fazem parte da conversa com o médico.

O preenchimento reverte o envelhecimento do terço médio?

Segundo a revisão de 2024, não por completo, e o excesso de produto pode causar aparência pesada. A indicação depende da análise individual.

Referências

  • Cotofana S, Fratila AAM, Schenck TL, et al. The Anatomy of the Aging Face: A Review. Facial Plast Surg, 2016;32(3):253-260. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27248022
  • Jacono AA, Rousso JJ. An algorithmic approach to multimodality midfacial rejuvenation using a new classification system for midfacial aging. Clin Plast Surg, 2015;42(1):17-32. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25440738
  • Buckingham ED, Smith SW. Incorporating Fat Grafting with Facelift Surgery: When, How, and Where. Facial Plast Surg Clin North Am, 2020;28(3):397-407. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32503721
  • Vasconcelos-Berg R, Desyatnikova S, Bonavia P, et al. Best Practices for the Use of High-Frequency Ultrasound to Guide Aesthetic Filler Injections, Part 2: Middle Third of the Face, Nose, and Tear Troughs. Diagnostics, 2024;14(22):2544. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11593187
  • Foster J, Aakalu VK, Freitag SK, et al. Vision-Threatening Complications of Soft Tissue Fillers: A Report by the American Academy of Ophthalmology. Ophthalmology, 2025;132(8):935-944. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40167411
  • Lim TS, Wanitphakdeedecha R, Yi KH. Exploring facial overfilled syndrome from the perspective of anatomy and the mismatched delivery of fillers. J Cosmet Dermatol, 2024;23(6):1964-1968. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38369859
  • Mehdizadeh M, Shariati K, Cordero JJ, et al. Beyond Wrinkles: A Systematic Review and Meta-analysis of Off-Label Aesthetic Uses of Botulinum Neurotoxin. Ann Plast Surg, 2026;96(4S Suppl 4):S124-S133. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41604510
  • Zengiski ACS, Basso IB, Cavalcante-Leão BL, et al. Effect and longevity of botulinum toxin in the treatment of gummy smile: a meta-analysis and meta-regression. Clin Oral Investig, 2021;26(1):109-117. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34652491
  • Rojo-Sanchis C, Montiel-Company JM, Tarazona-Álvarez B, et al. Non-Surgical Management of the Gingival Smile with Botulinum Toxin A: A Systematic Review and Meta-Analysis. J Clin Med, 2023;12(4):1433. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9965818

Importante: este artigo tem caráter informativo e educativo. Ele ajuda a entender o tema, mas não permite diagnosticar, tratar nem decidir sozinho sobre a sua saúde. Cada pessoa tem uma história diferente: para analisar o seu caso, converse com um médico.

Informações conferidas com as fontes citadas. Última revisão: outubro/2026.

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