Toxina botulínica no terço superior da face: o que trata

O terço superior da face, que vai da raiz do cabelo até as sobrancelhas e inclui a região dos olhos, concentra boa parte das linhas de expressão que surgem com o movimento: as da testa, o vinco entre as sobrancelhas, as ruguinhas ao lado do nariz e os "pés de galinha". É uma das áreas em que a toxina botulínica tipo A é usada em procedimentos estéticos. O efeito é temporário e depende de técnica, de dose definida pelo médico e de uma consulta individual.
Resposta rápida: a toxina botulínica reduz a contração de músculos específicos, o que suaviza as linhas de expressão causadas por eles. No terço superior, isso se aplica à testa, à glabela (entre as sobrancelhas), ao "nariz de coelho" e aos "pés de galinha". O efeito é passageiro, em média de alguns meses, e o procedimento tem riscos e situações em que pode não ser indicado. Na consulta médica, tudo é analisado em detalhe.
Para conhecer o procedimento como um todo, há uma página dedicada à toxina botulínica, com informações sobre como funciona o atendimento médico.
Como a toxina botulínica age nas linhas de expressão?
Segundo revisão publicada no J Cosmet Dermatol em 2025, as toxinas botulínicas agem inibindo a liberação de neurotransmissor nas terminações nervosas colinérgicas periféricas. Sem o sinal do nervo, o músculo contrai com menos intensidade, e a pele sobre ele deixa de dobrar com a mesma força a cada expressão. Em material didático do Portal Afya, o médico André Mattos descreve o mesmo mecanismo: a toxina inibe a liberação de acetilcolina na placa motora e, segundo o texto, não ultrapassa a barreira cerebral.
Isso explica por que o produto atua sobre as chamadas rugas dinâmicas, as que aparecem quando se franze a testa ou se sorri. Marcas já fixas na pele, sem relação com o movimento, respondem de outra forma e podem pedir outros recursos.
Quais regiões do terço superior costumam ser tratadas?
- Testa: linhas horizontais formadas pelo músculo frontal, usado para elevar as sobrancelhas.
- Glabela: o vinco vertical entre as sobrancelhas, que dá o aspecto de "cara de brava" quando a pessoa franze o rosto.
- Nariz de coelho (bunny lines): pequenas dobras nas laterais do nariz ao franzi-lo.
- Pés de galinha: linhas ao redor do canto externo dos olhos, que surgem ao sorrir.
- Posição das sobrancelhas: como a ação dos músculos da testa e da região dos olhos influencia a altura da sobrancelha, a técnica pode alterar levemente o seu desenho. Essa decisão é clínica e varia de pessoa para pessoa.
Quanto tempo dura o efeito?
O efeito não é permanente. De acordo com a revisão do J Cosmet Dermatol, ensaios clínicos com a dose padrão na glabela mostram duração mediana de cerca de quatro meses. A mesma publicação ressalta que não existe definição única de "duração" e que ela varia com sexo, idade, área tratada, intensidade das linhas e tratamentos anteriores: há quem perceba o efeito por menos tempo e quem o mantenha por mais. A bula do produto de referência registrado no Brasil informa que o efeito varia de paciente para paciente, em média de 4 a 6 meses, e o material do Portal Afya descreve duração de cerca de 6 semanas a 6 meses.
Quais são os riscos e os limites?
A complicação mais descrita na região é a queda da pálpebra superior (ptose palpebral). Revisão narrativa publicada na revista Cureus em janeiro de 2026, que analisou 20 estudos, apontou a ptose como a complicação clinicamente significativa mais relatada, com incidência que varia entre os estudos. Os autores descrevem o uso de colírios específicos como conduta mais comum, baseada sobretudo na prática de especialistas, e classificam como leves e autolimitados outros eventos, como assimetria, reações locais e dor de cabeça. Revisão publicada na Aesthetic Plast Surg atribui a ptose à passagem da toxina para músculos vizinhos, em geral por aplicação muito próxima de certas referências anatômicas, dose elevada ou profundidade excessiva, e destaca o planejamento individualizado e o conhecimento da anatomia da região como forma de reduzir o risco.
O efeito é temporário e, em geral, concentrado nos músculos tratados, mas a toxina pode se difundir para áreas próximas, e a bula alerta para esse risco. A bula do produto de referência determina que ele seja aplicado somente por profissional de saúde devidamente qualificado.
Quando a toxina botulínica pode não ser indicada
Podem existir condições de saúde, medicamentos em uso e situações pessoais em que a toxina botulínica não é indicada ou pede cuidados especiais. Cada produto tem a sua bula, e é a bula, junto com a história de cada paciente, que orienta a decisão do médico.
Por isso, na consulta médica tudo é analisado com atenção e em detalhes: histórico de saúde, alergias, medicamentos, expectativas e o que faz sentido para cada rosto, antes de qualquer decisão sobre o procedimento.
Quando procurar um médico
A consulta médica é o momento de definir se o procedimento faz sentido, quais músculos considerar e quais são os riscos no caso de cada pessoa. A bula do produto de referência orienta que o médico seja contatado imediatamente diante de dificuldade para engolir, falar ou respirar após a aplicação. Pálpebra caída, visão dupla ou qualquer reação que preocupe também justificam contato rápido com o médico que fez o procedimento. Informe ao médico o histórico de saúde, as alergias e os medicamentos em uso antes de qualquer decisão.
Perguntas frequentes
A toxina botulínica deixa o rosto sem expressão?
Não necessariamente. O grau de movimento que permanece depende do músculo, da dose e da técnica escolhidos pelo médico para cada pessoa.
O efeito é definitivo?
Não. Os estudos descrevem duração de alguns meses, com variação entre pessoas, segundo a revisão do J Cosmet Dermatol, e a bula do produto de referência fala em média de 4 a 6 meses.
O mesmo produto serve para qualquer região?
Não. Cada produto tem sua bula, com indicações, contraindicações e orientações próprias. A escolha cabe ao médico.
Todos os produtos à base de toxina botulínica são iguais?
Existem diferentes produtos registrados à base de toxina botulínica tipo A, cada um com bula própria, e a escolha cabe ao médico.
Referências
- Philipp-Dormston WG, et al. Why Dosing Matters: A Closer Look at the Dose-Response Relationship With OnabotulinumtoxinA. J Cosmet Dermatol, 2025. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12032540
- Freixo S, Camões-Barbosa A. Management of Complications Following Botulinum Toxin Facial Injections: A Narrative Review. Cureus, 2026. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12865869
- Mattos A. Toxina botulínica tipo A: recomendações, contraindicações e mais. Portal Afya, 2018. portal.afya.com.br
- Bula profissional da toxina botulínica tipo A de referência no Brasil, texto do fabricante. bula em PDF
- Borba A, Matayoshi S, Rodrigues M. Avoiding Complications on the Upper Face Treatment With Botulinum Toxin: A Practical Guide. Aesthetic Plast Surg, 2022;46:385-394. link.springer.com
Importante: este artigo tem caráter informativo e educativo. Ele ajuda a entender o tema, mas não permite diagnosticar, tratar nem decidir sozinho sobre a sua saúde. Cada pessoa tem uma história diferente: para analisar o seu caso, converse com um médico.
Informações conferidas com as fontes citadas. Última revisão: outubro/2026.
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