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Dra. Mirele FadelMédica - CRM-PR 37972 | CRM-SP 224385
Artigo · Beleza · 11 min de leitura

Sobrancelhas e olhar: o que o ultrassom e a toxina fazem

BellaAssistente de IA e jornalista do blog10 de maio de 2023 · atualizado em 13 de outubro de 2026
Ilustração gerada por IA: dois arcos dourados finos sobre papel creme

Pálpebra com aspecto mais pesado, sobrancelha que desce com o tempo e um olhar que parece cansado mesmo depois de uma boa noite de sono: é nessa região que o ultrassom microfocado e a toxina botulínica costumam ser considerados, às vezes de forma combinada. Os dois atuam por caminhos diferentes. O primeiro trabalha a sustentação da pele e dos tecidos mais profundos; a segunda muda o equilíbrio entre os músculos que sobem e descem a sobrancelha. Os estudos medem ganhos pequenos, na casa de poucos milímetros, e a indicação depende de uma consulta médica.

Resposta rápida: o ultrassom microfocado aquece pontos precisos do tecido em profundidade e, nos estudos, elevou a sobrancelha em cerca de 2 mm, com efeito que diminui ao longo de meses. A toxina botulínica, aplicada ao redor do olho e na testa, pode reposicionar a sobrancelha em frações de milímetro a alguns milímetros, por alguns meses. Os números vêm de estudos pequenos, em geral com um aparelho específico, e não valem para qualquer equipamento. Os dois são temporários, dependem de técnica e de anatomia individual, e a região dos olhos exige cuidado extra. Na consulta médica, tudo é analisado em detalhe.

Cada procedimento tem uma página própria no site: a do ultrassom microfocado, a da toxina botulínica e a de rejuvenescimento facial, que mostra como as técnicas se encaixam num planejamento.

O que muda na região do olhar com o passar dos anos

Com o tempo, a pele perde firmeza, a gravidade e a ação dos músculos fazem a sobrancelha descer, e o excesso de pele sobre a pálpebra superior fica mais evidente. Três grupos de estruturas disputam a posição final: o músculo frontal, na testa, que puxa a sobrancelha para cima; o orbicular dos olhos e os músculos entre as sobrancelhas, que puxam para baixo; e a camada de tecido sob a pele que sustenta tudo isso. Por isso a pergunta que orienta a consulta não é "qual procedimento", e sim "o que, nesse rosto, está causando o aspecto".

Como o ultrassom microfocado age na sobrancelha

O ultrassom microfocado concentra energia em pontos pequenos e profundos. Segundo revisão narrativa de Vachiramon e colegas publicada em 2025 no J Cosmet Dermatol (parte dos autores trabalha para um fabricante de aparelho de ultrassom microfocado), essa energia chega ao tecido que sustenta a face e cria pequenos pontos de coagulação térmica; o corpo responde com fibroblastos e produção nova de colágeno e elastina. Como o processo é gradual, o efeito não aparece no mesmo dia. O que os estudos conseguem medir é o deslocamento da sobrancelha. Cada um usou um aparelho e um protocolo próprios, de modo que os números não se transferem para outros equipamentos:

  • Estudo prospectivo de Chen e colegas (J Cosmet Dermatol, 2024), com observadores cegos, incluiu 42 pessoas com queda leve a moderada da sobrancelha, tratadas em uma única sessão na testa e na têmpora, sem grupo de comparação; 40 concluíram 180 dias de acompanhamento. A altura média subiu cerca de 2,16 mm aos 90 dias e 1,93 mm aos 180, e dois observadores cegos consideraram a elevação clinicamente significativa em 35 participantes (87,5%) ao fim dos 180 dias. Os autores não declararam conflito de interesse.
  • Estudo de Choi e colegas (Lasers Med Sci, 2025), de braço único e sem grupo de comparação, tratou 38 pessoas na testa e na lateral dos olhos com um aparelho novo. A altura média da sobrancelha aumentou 1,99 mm na semana 4 e 1,57 mm na semana 16. O efeito, portanto, diminui, e os autores o descrevem como elevação temporária. Não houve eventos adversos graves.
  • Revisão sistemática de Kumar e colegas (Aesthet Surg J Open Forum, 2026) reuniu dez estudos de ultrassom focado na região periorbital, com 10 a 191 participantes e aparelhos diferentes; dois autores são funcionários de um fabricante de aparelhos. Houve melhora de rugas, elasticidade da pele e contorno de sobrancelha e pálpebra, com mais ganho após várias sessões; a elevação da sobrancelha descrita nos estudos incluídos ficou em torno de 1 a 1,5 mm. Os autores classificam a certeza das evidências como muito baixa, por causa dos desenhos sem randomização e da diferença entre protocolos.

O benefício medido, portanto, é modesto, de cerca de 1 a 2 mm, e parte dele se perde ao longo de alguns meses. É um resultado de refinamento, não de mudança de estrutura.

Como a toxina botulínica reposiciona a sobrancelha

A toxina botulínica bloqueia temporariamente a comunicação entre o nervo e o músculo. Segundo o StatPearls, o orbicular dos olhos é o principal depressor da parte lateral da sobrancelha; enfraquecer a porção superolateral desse músculo permite que o frontal eleve a cauda da sobrancelha. O efeito é temporário: o capítulo do StatPearls sobre ptose de sobrancelha indica repetição em torno de a cada 3 meses. Em revisão de 2024 na Dermatol Surg, Kaufman-Janette e Trindade de Almeida lembram que usar a toxina para elevar estruturas do rosto, inclusive a sobrancelha, é fora da bula, que cada região tem suas particularidades anatômicas e que faltam dados controlados para definir a dose de cada uma.

  • Em estudo de Uygur e colegas (J Craniofac Surg, 2013), dez mulheres receberam toxina na parte superolateral do orbicular. Duas semanas depois, medidas com paquímetro mostraram elevação da parte lateral da sobrancelha e maior distância entre as pálpebras, sem perda de simetria. É um grupo pequeno e sem comparação.
  • Revisão sistemática de Jabbour e colegas (Dermatol Surg, 2017) reuniu 11 estudos, com 585 pacientes, todos com o mesmo tipo de toxina (onabotulínica A) e com aplicação nos músculos que puxam a sobrancelha para baixo, na parte lateral, na medial ou nas duas. A maior elevação ficou na parte lateral, entre 0,4 e 4,8 mm. Hematomas e dor de cabeça foram as queixas mais comuns, e foram registrados cinco casos de ptose palpebral. Os autores pedem ensaios randomizados.

Esses estudos tratam a toxina isolada. Segundo o StatPearls, se o produto se difunde para o músculo frontal, a sobrancelha pode, ao contrário, cair, o que reforça que a técnica é planejada para cada rosto.

Por que os dois são associados

As técnicas resolvem partes diferentes do problema: o ultrassom atua na qualidade e na sustentação do tecido; a toxina muda a força muscular. Em artigo de consenso de especialistas asiáticos publicado no J Clin Aesthet Dermatol em 2021, Park e colegas recomendam tratar a face superior primeiro com ultrassom microfocado, para firmar a pele e levantar sobrancelhas caídas, e depois usar a toxina para relaxar os músculos que puxam a sobrancelha para baixo. O texto cita ainda um trabalho anterior em que o tratamento combinado manteve a melhora da altura da sobrancelha 12 semanas depois.

Há um limite: os estudos de medição citados aqui analisam cada tecnologia separadamente, e o consenso reflete a prática de especialistas, com financiamento do fabricante do aparelho e vínculos de autores com a indústria. A associação tem lógica anatômica e uso clínico, mas o quanto ela soma além de cada técnica sozinha não está medido com rigor. Em revisão de 2025 no J Cosmet Dermatol, Pavicic e colegas, que analisaram 67 estudos, descrevem combinações do ultrassom com toxina ou preenchedores com resultados positivos e eventos adversos raros e passageiros; o foco dessa revisão é a qualidade da pele em geral, não a sobrancelha, e parte dos autores trabalha para o fabricante do aparelho.

Riscos e cuidados na região dos olhos

A pele da pálpebra é fina, e o olho fica logo abaixo. Isso torna a região mais exigente do que outras áreas do rosto.

Toxina botulínica. Segundo o StatPearls, a ptose de pálpebra pode ocorrer quando o produto se difunde para o músculo que levanta a pálpebra, e a difusão para músculos mais profundos do olho pode causar visão dupla. Segundo Jaguś e colegas (Toxins, 2025), a ptose da pálpebra superior ocorre em cerca de 0,59% a 5,4% dos casos, conforme a técnica e a experiência de quem aplica. Em novembro de 2025, a Anvisa e o Ministério da Saúde divulgaram nota técnica de alerta sobre botulismo iatrogênico, evento raro, e reforçaram que os medicamentos registrados devem ser usados conforme a bula e aplicados por profissional habilitado.

Ultrassom microfocado. Park e colegas (2021) relatam casos de abaulamento e piora do sulco lacrimal com ultrassom focado de outro aparelho, que atribuem à entrega excessiva e descontrolada de energia na gordura, e registram que alguns sistemas de ultrassom focado já causaram lesão do estroma da córnea. Segundo a revisão com recomendações de Dicker e colegas (J Cosmet Dermatol, 2026), construída por consenso entre os próprios autores, a prevenção inclui protocolos padronizados, imagem em tempo real e respeito às zonas de nervo; dor ocular ou alteração da visão são sinais graves que pedem encaminhamento imediato a um especialista, como o oftalmologista. Na revisão de Kumar e colegas, os eventos foram em geral leves e passageiros, e as complicações raras (menos de 1%) não deixaram sequelas permanentes.

Podem existir condições de saúde, medicamentos em uso e situações pessoais em que o procedimento não é indicado ou pede cuidados especiais. Por isso, na consulta médica tudo é analisado com atenção e em detalhes antes de qualquer decisão.

Quando procurar um médico

Quem convive com queda de sobrancelha, pálpebra pesada ou assimetria no olhar pode marcar uma consulta médica para entender a causa antes de decidir qualquer procedimento: o aspecto pode vir da sobrancelha, do excesso de pele, da gordura ou de uma soma disso, e em alguns casos outras opções, inclusive cirúrgicas, fazem mais sentido. Depois da aplicação de toxina, pálpebra caída, visão dupla, dificuldade para engolir, falar ou respirar, ou fraqueza fora da área tratada pedem contato imediato com o médico ou atendimento de urgência; a Anvisa orienta atendimento imediato diante de suspeita de botulismo. Dor no olho ou mudança na visão após qualquer tratamento com energia na região também pedem análise médica rápida, de preferência com oftalmologista.

Perguntas frequentes

O ultrassom microfocado e a toxina botulínica fazem a mesma coisa na sobrancelha?

Não. O ultrassom age no tecido, estimulando colágeno em profundidade. A toxina age no músculo, alterando a força dos que sobem e descem a sobrancelha. Por isso podem ser planejados juntos, a critério do médico.

Quanto tempo dura o efeito?

Nos estudos, a elevação medida com ultrassom caiu de 1,99 para 1,57 mm entre a semana 4 e a semana 16. Para a toxina, o efeito costuma pedir repetição em torno de a cada 3 meses. Os dois são temporários e variam de pessoa para pessoa.

Ultrassom microfocado e toxina botulínica são a mesma coisa?

Não. O ultrassom microfocado é um aparelho que usa energia de ultrassom para aquecer pontos em profundidade, e a toxina botulínica é um medicamento aplicado nos músculos. São tecnologias diferentes, e existem diferentes aparelhos e produtos registrados de cada uma.

Dá para abrir o olhar sem cirurgia?

Em alguns casos, uma pequena elevação da sobrancelha pode ser obtida sem cirurgia, mas os estudos mostram variações de poucos milímetros. Quando há muito excesso de pele na pálpebra, a consulta médica pode apontar outras opções.

Qualquer profissional pode aplicar?

Segundo a Anvisa, a toxina botulínica deve ser aplicada por profissional habilitado e com medicamento registrado, seguindo a bula. Elevar a sobrancelha com toxina é um uso fora da bula, mais um motivo para a decisão ser médica.

Referências

  • Chen W, Deng Y, Qiao G, Cai W. Ultrasound rejuvenation for upper facial skin: a randomized blinded prospective study. J Cosmet Dermatol, 2024;23(12):3942-3949. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39034504
  • Choi EJ, Choi ME, Yun MR, Hwang ST, Kim KS, Won CH. Efficacy and safety of microfocused ultrasound for temporary eyebrow lift and glabellar wrinkle reduction. Lasers Med Sci, 2025;40(1):79. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39920474
  • Kumar N, de Almeida GOO, Luthra A, Kashif SA, Dahan S, Carruthers JDA. Use of high-intensity focused ultrasound in the periorbital rejuvenation: a systematic review. Aesthet Surg J Open Forum, 2026;8. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42453157
  • Vachiramon V, Pavicic T, Casabona G, et al. Microfocused ultrasound in regenerative aesthetics: a narrative review on mechanisms of action and clinical outcomes. J Cosmet Dermatol, 2025;24(2):e16658. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39501429
  • Pavicic T, Green JB, Park JY, et al. Microfocused ultrasound with visualization in skin quality: a narrative review. J Cosmet Dermatol, 2025;24(Suppl 4):e70364. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40847904
  • Park JY, Lin F, Suwanchinda A, et al. Customized treatment using microfocused ultrasound with visualization for optimized patient outcomes: a review of skin-tightening energy technologies and a pan-Asian adaptation of the expert panel's gold standard consensus. J Clin Aesthet Dermatol, 2021;14(5):E70-E79. jcadonline.com
  • Dicker V, Acevedo A, Parra AM, et al. Evidence-based management recommendations for microfocused ultrasound with visualization (MFU-V) complications: a multidisciplinary consensus and clinical validation. J Cosmet Dermatol, 2026;25(7):e71069. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC13376685
  • Jabbour S, Awaida C, Kechichian E, et al. Botulinum toxin for eyebrow shaping: a systematic review. Dermatol Surg, 2017;43(Suppl 3):S252-S261. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33065951
  • Uygur S, Eryilmaz T, Bulam H, Yavuzer R, Latifoglu O. The quantitative effect of botulinum toxin A over brow height. J Craniofac Surg, 2013;24(4):1285-1287. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23851789
  • Kaufman-Janette J, Trindade de Almeida A. Lifting with neuromodulators. Dermatol Surg, 2024;50(9S):S58-S63. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39196835
  • Jaguś D, Pawłowska A, Mlosek RK. Ultrasound evaluation of upper facial muscles to guide botulinum toxin application. Toxins (Basel), 2025;17(12):595. doi.org/10.3390/toxins17120595
  • Brow ptosis. StatPearls, NCBI Bookshelf. statpearls.com/point-of-care/18666
  • Botulinum toxin treatment of the upper face. StatPearls, NCBI Bookshelf. ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK574523
  • Anvisa e Ministério da Saúde alertam para risco de botulismo iatrogênico após uso de toxina botulínica. Anvisa, novembro de 2025. gov.br/anvisa

Importante: este artigo tem caráter informativo e educativo. Ele ajuda a entender o tema, mas não permite diagnosticar, tratar nem decidir sozinho sobre a sua saúde. Cada pessoa tem uma história diferente: para analisar o seu caso, converse com um médico.

Informações conferidas com as fontes citadas. Última revisão: outubro/2026.

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