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Dra. Mirele FadelMédica - CRM-PR 37972 | CRM-SP 224385
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Como conferir a segurança de um procedimento com aparelho

BellaAssistente de IA e jornalista do blog16 de julho de 2024 · atualizado em 13 de outubro de 2026
Ilustração gerada por IA: natureza-morta abstrata em tons de creme, ouro champanhe e tinta, com uma moldura fina dourada sobre tecido de linho

Quem pensa em fazer um procedimento com ultrassom, laser ou radiofrequência pode conferir cinco coisas antes de marcar: se quem faz é médico com CRM ativo, se o aparelho está regularizado na Anvisa, se o consentimento será explicado e assinado, se o local cumpre as regras sanitárias e se os riscos foram descritos com clareza.

Resposta rápida: a segurança de um procedimento com aparelho depende de quem o realiza, do equipamento, do local e da informação dada ao paciente. O CFM mantém uma busca pública de médicos, a Anvisa tem uma consulta de produtos regularizados, o Código de Ética Médica exige o consentimento do paciente depois de esclarecido, e a literatura descreve riscos reais, como queimaduras e cicatrizes.

Procedimentos com energia, como o ultrassom focado, o laser e a radiofrequência, são feitos com equipamentos que emitem calor ou luz sobre a pele e os tecidos abaixo dela. Por isso, o resultado em termos de segurança não está no nome da técnica, e sim em quem a conduz e em como ela é conduzida. A página sobre laser explica como funciona o atendimento médico nesse tema. Aqui, o foco é o que a própria pessoa consegue verificar.

O primeiro passo é confirmar que o profissional é médico e está ativo

O Conselho Federal de Medicina mantém, em seu portal, uma busca pública de médicos. Pelo menos um dado precisa ser preenchido: nome, estado (UF) ou número do CRM. O filtro de situação permite escolher entre registros ativos e inativos, e há campos para tipo de inscrição, município, especialidade e área de atuação. A página do CFM também ensina a ler o número: um "P" depois do CRM indica inscrição provisória, feita por liminar, e a sigla "EME" indica estudante médico estrangeiro.

A consulta responde a uma pergunta simples, mas decisiva: a pessoa que vai conduzir o procedimento tem registro e está em situação regular? Quem não aparece na busca, ou aparece como inativo, precisa explicar a situação antes de qualquer decisão.

Em nota divulgada em outubro de 2023, o CFM, a Sociedade Brasileira de Anestesiologia e a SBD orientaram que procedimentos invasivos sejam feitos apenas por médicos capacitados e transcreveram o artigo 4º, III, da Lei 12.842/2013, que torna privativas do médico a indicação e a execução de procedimentos invasivos, diagnósticos, terapêuticos ou estéticos. A nota foi motivada pela morte de uma paciente em Cosmópolis (SP) após um procedimento estético. A mesma lei define, no parágrafo 4º, o que chama de invasivo: dois dos três incisos foram vetados, e o que permanece trata da invasão de orifícios naturais do corpo, atingindo órgãos internos. Se um aparelho específico se enquadra nessa definição é questão jurídica, que este texto não resolve; dúvidas sobre um caso concreto podem ser levadas ao conselho regional de medicina.

O aparelho precisa estar regularizado na Anvisa

A Anvisa orienta que a pessoa confira, no portal de consultas (consultas.anvisa.gov.br), se o produto está autorizado. O caminho descrito pela agência é: escolher o tipo de produto (no caso de equipamentos, produtos para saúde), informar o nome do produto, o CNPJ da empresa, o número do registro ou o número do processo, abrir o resultado e ler a situação. Segundo a Anvisa, situação ativa ou válida indica produto regularizado; inativa ou inválida indica que ele não está autorizado. A agência ainda mantém uma lista de produtos irregulares e falsificados, e o texto do portal resume a orientação em uma frase: use somente produtos regularizados.

Esses dados costumam constar na documentação do equipamento, e o médico pode mostrá-los. A consulta confirma que existe regularização, não que o aparelho seja adequado ao caso de cada pessoa: isso é decidido pelo médico. Este artigo não afirma que nenhum aparelho específico esteja regularizado; a checagem cabe a quem vai se submeter ao procedimento, no portal oficial.

Na divulgação, a Resolução CFM 2.336/2023 só permite ao médico anunciar aparelhos com as indicações do portfólio aprovado pela Anvisa e veda divulgar equipamento sem registro na agência.

O consentimento informado é um direito, e não uma formalidade

O Código de Ética Médica, em seu artigo 22, veda ao médico deixar de obter o consentimento do paciente depois de esclarecê-lo sobre o procedimento a ser realizado, exceto em risco iminente de morte. Na prática, é uma conversa antes do ato, em linguagem compreensível, e não só uma folha para assinar. O código não define o formato, mas o registro por escrito documenta o que foi explicado.

Uma revisão publicada em 2026 por Lynhda Nguyen e colegas, na J Dtsch Dermatol Ges, trata desse ponto sob outro ângulo. Os autores recomendam aconselhamento realista e informação prévia sobre os efeitos possíveis, além de documentação detalhada, com consentimento do paciente, parâmetros usados e eventos adversos. Eles descrevem o exemplo alemão, que exige esse registro por norma. Uma das autoras declarou ter recebido honorários de palestras de uma fabricante de equipamentos, e outro autor preside uma sociedade de laser. A revisão é educativa e não se aplica a nenhum caso individual.

O local também faz parte da segurança

A nota do CFM, da SBA e da SBD lembra que os locais onde se fazem procedimentos invasivos precisam de infraestrutura adequada, com os requisitos mínimos da Resolução CFM 2.073/2014, e que o paciente deve buscar informações sobre o lugar da intervenção, além das informações sobre os profissionais.

No campo sanitário, a RDC 63/2011 da Anvisa estabelece os requisitos de boas práticas para o funcionamento de serviços de saúde, com foco na redução e no controle de riscos para usuários e meio ambiente. Entre suas exigências, estão a licença atualizada emitida pelo órgão sanitário competente, um responsável técnico, a garantia da qualidade dos processos de desinfecção e esterilização de equipamentos e materiais, a oferta de insumos para a higiene das mãos e o suporte imediato à vida quando necessário. Na prática, a pessoa pode observar se o ambiente está limpo, se há responsável técnico identificado, se a licença sanitária está visível e se o serviço sabe dizer o que fará diante de uma intercorrência.

Os riscos existem e a literatura os descreve

Segundo a revisão de Nguyen e colegas (2026), os procedimentos com laser e outros dispositivos de energia podem causar complicações mesmo com sistemas de resfriamento e monitoramento. Os autores atribuem os problemas a fatores do paciente, como o tipo de pele, apontado como o mais crítico, e a exposição solar; a fatores do procedimento, como a escolha de um equipamento ou de parâmetros inadequados para a indicação e para o tipo de pele; e a fatores do operador, como formação insuficiente e dependência excessiva dos ajustes sugeridos pelo fabricante.

A revisão separa as reações em três grupos. As esperadas, de curto prazo, são vermelhidão, inchaço, manchas arroxeadas e crostas, em geral leves e passageiras. As imediatas, que surgem em horas ou dias, incluem bolhas, infecções (entre elas a reativação do herpes) e erupções. As tardias, de semanas a meses e às vezes permanentes, incluem queimaduras com risco de cicatriz, alterações de pigmentação, úlceras, cicatrizes e, mais raramente, lesões oculares.

Em 15 de outubro de 2025, a agência reguladora dos Estados Unidos (FDA) emitiu uma comunicação de segurança sobre o microagulhamento por radiofrequência. Segundo o documento, a agência recebeu relatos de complicações graves em procedimentos dermatológicos e estéticos, entre elas queimaduras, cicatrizes, perda de gordura, desfiguração e lesão de nervos, algumas exigindo reparo cirúrgico ou outra intervenção. A FDA orienta o paciente a discutir benefícios e riscos com o médico, buscar profissional licenciado, com treinamento e experiência nesses dispositivos, perguntar quais equipamentos serão usados e procurar atendimento se surgirem problemas depois. O documento descreve o procedimento como médico e não como cosmético. Relatos enviados a uma agência não permitem calcular frequência.

Quando o procedimento pode não ser indicado

Podem existir condições de saúde, medicamentos em uso e situações pessoais em que o procedimento não é indicado ou pede cuidados especiais. Por isso, na consulta médica tudo é analisado com atenção e em detalhes antes de qualquer decisão.

Em qualquer consulta, a pessoa informa o histórico de saúde, as alergias, os remédios e cremes que usa e a exposição recente ao sol. Quem quiser conversar sobre o tema pode agendar uma consulta médica com a Dra. Mirele.

Perguntas para levar à consulta e sinais de alerta

Uma lista prática ajuda a organizar a conversa: qual é o meu CRM e como posso confirmá-lo no portal do CFM? Qual equipamento será usado, e qual é o número de regularização dele na Anvisa? Quais são os riscos descritos para o meu caso e o que será feito se algum deles acontecer? Quem faz o procedimento, e onde? O que será explicado e registrado no termo de consentimento? Que cuidados precisam ser tomados antes e depois?

Também há sinais que pedem pausa antes de decidir: recusa em informar o CRM ou o equipamento, ausência de conversa sobre riscos, resultado apresentado como certo, termo entregue apenas para assinatura, local sem condições visíveis de higiene ou sem responsável técnico, e pressa para fechar a decisão no mesmo dia.

Depois do procedimento, dor que aumenta, bolhas, secreção, vermelhidão que se espalha ou qualquer sintoma inesperado justificam contato rápido com o médico que o realizou ou com um serviço de urgência.

Leituras relacionadas: complicações com preenchimento de ácido hialurônico, sobre a harmonização facial com identidade e um protocolo de face inteira com ultrassom focado.

Perguntas frequentes

Como confirmo que o CRM de um médico está ativo?

Pela busca de médicos do portal do CFM. É preciso informar nome, UF ou número do CRM, e o filtro de situação permite escolher entre ativo e inativo, segundo a página do conselho.

Como sei se um aparelho está regularizado?

No portal de consultas da Anvisa, pelo nome do produto, CNPJ da empresa, número do registro ou do processo. Segundo a agência, situação ativa ou válida indica produto regularizado. A consulta deve ser feita com os dados do equipamento que será de fato usado.

O termo de consentimento é obrigatório?

O Código de Ética Médica veda ao médico deixar de obter o consentimento do paciente depois de esclarecê-lo sobre o procedimento, salvo em risco iminente de morte. O código não trata do formato, mas o registro por escrito documenta o que foi explicado, e a revisão de 2026 recomenda documentação detalhada.

Procedimentos com aparelho podem causar queimaduras?

A literatura descreve queimaduras, bolhas, alterações de pigmentação e cicatrizes entre as complicações possíveis, especialmente quando o equipamento, os parâmetros ou a técnica não são adequados ao caso. Este artigo não traz frequências.

O que fazer se algo sair do esperado depois do procedimento?

Procurar o médico que o realizou ou um serviço de saúde, sem esperar o sintoma piorar.

Referências

  • Conselho Federal de Medicina. Busca de médicos. portal.cfm.org.br/busca-medicos
  • CFM, Sociedade Brasileira de Anestesiologia e SBD. Nota à sociedade: médicos alertam sobre riscos de procedimentos estéticos realizados por profissionais não habilitados, outubro de 2023. portal.cfm.org.br (PDF)
  • Anvisa. Como saber se um produto é autorizado pela Anvisa. gov.br/anvisa
  • Anvisa. Resolução RDC nº 63, de 25 de novembro de 2011: requisitos de boas práticas para funcionamento de serviços de saúde. bvsms.saude.gov.br
  • Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.336/2023, sobre publicidade e propaganda médicas. sistemas.cfm.org.br (PDF)
  • Conselho Federal de Medicina. Código de Ética Médica (Resolução CFM nº 2.217/2018), art. 22. portal.cfm.org.br (PDF)
  • Nguyen L, Kimmig W, Hammes S, Schneider SW, Seeber N. Complicações de procedimentos com laser e com dispositivos de energia: classificação, manejo e prevenção (título traduzido; o original, em inglês, está no link). J Dtsch Dermatol Ges, 2026;24(3):372-381. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12968952
  • U.S. Food and Drug Administration. Potential Risks with Certain Uses of Radiofrequency (RF) Microneedling: FDA Safety Communication, 15 de outubro de 2025. fda.gov

Importante: este artigo tem caráter informativo e educativo. Ele ajuda a entender o tema, mas não permite diagnosticar, tratar nem decidir sozinho sobre a sua saúde. Cada pessoa tem uma história diferente: para analisar o seu caso, converse com um médico.

Informações conferidas com as fontes citadas. Última revisão: outubro/2026.

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Dúvidas gerais são bem-vindas. Evite dados de saúde e fotos de exames: cada caso é visto em consulta médica.

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