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Ultrassom microfocado com bioestimulador: o que dizem os estudos

BellaAssistente de IA e jornalista do blog30 de maio de 2025 · atualizado em 13 de outubro de 2026
Ilustração gerada por IA: duas esferas de vidro creme sobre uma base dourada, ligadas por um arco fino de tinta

Quando a pele do rosto perde sustentação com os anos, duas técnicas costumam aparecer na conversa: o ultrassom microfocado, que usa energia aplicada pela superfície, e o bioestimulador de colágeno, que é injetado. Existe revisão sistemática sobre associar as duas, publicada em 2025, mas ela reúne 11 estudos pequenos, a maioria sem grupo de comparação, e os não randomizados foram classificados pelos próprios autores com risco de viés sério. A revisão teve financiamento de uma fabricante. A literatura descreve a combinação. Não a transforma em protocolo nem em promessa para ninguém.

Resposta rápida: o ultrassom microfocado concentra energia em pontos da pele e do tecido logo abaixo dela, e o bioestimulador de colágeno é uma substância injetada que provoca uma reação local do organismo. Uma revisão sistemática de 2025 reuniu estudos que usaram as duas coisas juntas, todos com hidroxiapatita de cálcio, e relatou eventos adversos leves a moderados, sem eventos graves. Mas faltam estudos controlados, e não há consenso sobre ordem nem intervalo. Cada caso é analisado na consulta médica.

As duas técnicas têm página própria no site: a do bioestimulador de colágeno e a do ultrassom microfocado. Este artigo trata de outra pergunta: o que se sabe quando elas são feitas no mesmo rosto.

O que é o ultrassom microfocado

É um método que emite ondas de ultrassom concentradas em pontos pequenos, a profundidades definidas, sem abrir a pele. De acordo com a revisão de 2025 sobre a combinação, publicada na Aesthetic Surgery Journal por Mojgan Amiri e colegas, o aparelho gera zonas controladas de coagulação térmica sem lesar a epiderme. Os autores descrevem como hipótese que a retração do colágeno desnaturado e a remodelação que se segue expliquem o efeito buscado.

Em meta-análise com a mesma autora principal, publicada em fevereiro de 2025, 42 estudos foram reunidos. Segundo os autores, 89% dos pacientes (intervalo de confiança de 95%: 81% a 94%; 411 pessoas) tiveram algum grau de mudança global apontada pelos investigadores, e 84% (312 pessoas) relataram resposta por conta própria. Os autores alertam que respostas "neutras" podem ter sido contadas como positivas, o que pode superestimar o efeito, e que são necessários ensaios bem desenhados. Os eventos adversos mais citados foram vermelhidão, inchaço, hematoma e sensibilidade, de leves a moderados. A dor média relatada foi de 4,85 numa escala de dor, o que os autores classificam como moderada.

O que é o bioestimulador de colágeno

É uma substância injetável, biocompatível, que provoca uma reação inflamatória controlada no local e, com ela, a produção de colágeno pelo organismo. Segundo protocolo de revisão sistemática publicado em 2026 no Journal of Clinical Medicine por Lia Honnef e colegas, os agentes incluídos na revisão planejada são o ácido poli-L-lático, a hidroxiapatita de cálcio, a policaprolactona, o ácido poli-D,L-lático e a polidioxanona em pó. Os mesmos autores observam que os fabricantes destacam eficácia e segurança, e que as revisões anteriores cobriram só parte desses agentes.

Um ponto que costuma passar despercebido: "bioestimulador" é uma categoria, não um produto. Cada substância tem composição, forma de preparo e comportamento diferentes, e a evidência sobre a combinação com o ultrassom microfocado, como se verá abaixo, vem principalmente de uma delas.

O que a literatura diz sobre associar as duas técnicas

A revisão sistemática de Amiri e colegas, de 2025, buscou em quatro bases de dados e partiu de 4.019 referências. Incluiu 11 estudos, publicados entre 2014 e 2023, em que os dois tratamentos foram combinados. A maioria era de delineamento de antes e depois, e havia estudos retrospectivos, um prospectivo e uma série de casos. Os grupos tinham de 1 a 60 participantes, e as áreas tratadas incluíam face, pescoço, colo, abdome, coxa, glúteo e joelho. A maior parte aplicou o ultrassom primeiro e a injeção depois, mas em dois estudos a sequência foi invertida.

Os autores relatam, nos estudos incluídos, mudanças em escalas de aparência, em medidas de qualidade da pele e na satisfação dos participantes. Em um deles, sobre a linha da mandíbula, a proporção de pessoas com variação de pelo menos 1 ponto na escala chegou a 89% na 48ª semana. Três estudos fizeram biópsia, cada um com uma única amostra; um deles registrou aumento de marcadores de colágeno, de elastina e de novos vasos depois da combinação, e outro relatou aumento de 251% nas fibras de colágeno tipo III em relação ao tecido sem tratamento.

Esses números precisam de moldura. A própria revisão classificou os estudos não randomizados como de risco sério de viés por confusão, e a maioria também por forma de medir o resultado. A maioria não tinha grupo de comparação, as amostras eram pequenas, as conclusões de biópsia vinham de uma peça por estudo, e certos grupos, como homens e diferentes etnias, não estavam representados. Os autores descrevem os achados como "promissores" e classificam a revisão como nível de evidência 3. A revisão foi financiada por uma fabricante, e vários autores declaram vínculo com fabricantes. Nada disso vale como promessa de resultado. Os estudos também descrevem usos que podem ir além do que consta na bula de cada produto, e o registro e a bula de cada um são conferidos na consulta médica.

Ordem e intervalo: o que a pesquisa ainda não responde

Dos 11 estudos, nove fizeram as duas aplicações na mesma sessão, e dois deixaram um intervalo entre elas. A revisão afirma que não há consenso sobre o intervalo ideal quando as técnicas não são feitas no mesmo dia, e que é preciso estudar o efeito da ordem e do momento. Os autores também observam que a indicação da combinação variou de um estudo para outro, e que ainda não se sabe que tipo de paciente teria mais a ganhar com ela.

Por isso, este artigo não traz número de sessões nem prazo. Se a combinação existir no plano de alguém, o intervalo entre as sessões é definido na consulta médica, caso a caso, e não por uma tabela pública.

Quais são os riscos de cada técnica

Na combinação, a revisão de 2025 informa que nove estudos relataram eventos adversos: vermelhidão, inchaço, hematomas e dor ou desconforto, de leves a moderados. Não houve evento grave nos estudos incluídos. Como as amostras eram pequenas, a ausência de evento grave nesses trabalhos não garante que ele não ocorra.

Para o ultrassom microfocado, revisão sistemática publicada em 2024 em Dermatol Surg, por Victoria Humphrey e colegas, analisou 19 artigos com dados de 506 pacientes. Os eventos mais frequentes foram edema, vermelhidão e dor após o procedimento. Na literatura científica houve um caso de atrofia do tecido subcutâneo. Já nos 106 registros extraídos de um banco de notificações de dispositivos médicos dos Estados Unidos, os relatos mais frequentes foram perda de gordura, problemas neurológicos (lesão de nervo, dormência localizada, alterações de sensibilidade e ptose) e cicatrizes. Esses registros são notificações espontâneas e não permitem calcular a frequência real. Os autores também registraram um relato de prejuízo a uma cirurgia de lifting posterior, e dizem que a literatura científica não traz evidência sobre o efeito nessas cirurgias, com relatos em grande parte anedóticos e não verificados.

Para os bioestimuladores, o protocolo de Honnef e colegas descreve, entre os eventos já relatados, vermelhidão, inchaço, dor no local, formação de nódulos, hipersensibilidade e reações granulomatosas. Segundo eles, costumam ser leves e autolimitadas, mas podem comprometer o resultado e, em alguns casos, exigir intervenção médica. Vale lembrar que esse texto é um protocolo: a revisão ainda será feita, e ele não traz números de frequência.

Quando a associação pode não ser indicada

Podem existir condições de saúde, medicamentos em uso e situações pessoais em que o procedimento não é indicado ou pede cuidados especiais. Por isso, na consulta médica tudo é analisado com atenção e em detalhes antes de qualquer decisão.

Também é razoável perguntar ao médico por que a associação faria sentido no seu caso, e não uma técnica isolada ou nenhuma delas, já que a evidência sobre o conjunto é limitada.

O que a consulta médica analisa

Na consulta médica, a Dra. Mirele Fadel analisa o histórico de saúde, os medicamentos em uso, as cirurgias e os procedimentos já feitos no rosto, as expectativas de quem pergunta e as características da pele e dos tecidos de sustentação. A conversa inclui o que a literatura sabe e o que ela não sabe, os riscos descritos e as alternativas, entre elas a de não fazer nada. Quem já fez ou pretende fazer uma cirurgia facial deve contar isso antes de qualquer decisão, por causa da dúvida levantada na revisão sobre o ultrassom.

Outros artigos do blog ajudam a situar o tema: o texto sobre o terço médio da face, a região das bochechas, o que descreve o protocolo full face com ultrassom microfocado e o artigo sobre bioestimuladores de colágeno.

Perguntas frequentes

Ultrassom microfocado e bioestimulador de colágeno fazem a mesma coisa?

Não. O primeiro usa energia aplicada pela superfície; o segundo é uma substância injetada. Ambos são descritos como estímulo à produção de colágeno, mas por mecanismos diferentes, e a revisão de 2025 trata a combinação como assunto de pesquisa ainda inicial.

Existe prova de que a combinação é melhor do que cada técnica sozinha?

Não de forma definitiva. Segundo a revisão de 2025, a maioria dos estudos não tinha grupo de comparação, e os não randomizados tinham risco de viés sério. Os dados de biópsia sugerem maior atividade de colágeno, mas vêm de uma única amostra por estudo.

As duas técnicas são feitas no mesmo dia?

Nos estudos, na maioria das vezes sim, mas dois deixaram um intervalo entre elas, e a revisão diz não haver consenso. Na prática, isso é definido na consulta médica.

Quais efeitos indesejados foram descritos?

Vermelhidão, inchaço, hematoma e dor foram os mais citados. Com cada técnica separada, a literatura também cita eventos mais raros e mais sérios, como alterações de sensibilidade, perda de gordura e nódulos. A frequência varia conforme o estudo.

Quem já fez cirurgia facial pode fazer?

Essa é uma decisão do médico. A revisão sobre o ultrassom lembra que a literatura publicada não traz evidência sobre o efeito sobre uma cirurgia posterior, e por isso o histórico precisa ser informado na consulta.

Referências

  • Amiri M, Meçani R, Niehot CD, et al. Aesthetic Efficacy and Safety of Combined Microfocused Ultrasound With Visualization and Calcium Hydroxylapatite Treatment: A Systematic Review of Human Evidence. Aesthet Surg J, 2025;45(6):638-642. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12080884
  • Amiri M, Ajasllari G, Llane A, et al. Microfocused Ultrasound With Visualization (MFU-V) Effectiveness and Safety: A Systematic Review and Meta-Analysis. Aesthet Surg J, 2025;45(3):NP86-NP94. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39540440
  • Humphrey VS, Rambhia PH, Gmyrek R, Chapas A. Microfocused Ultrasound With Visualization: A Systematic Review of Adverse Events and Risk of Subsequent Facelift Compromise. Dermatol Surg, 2025;51(4):424-429 (publicação online em dezembro de 2024). pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39625163
  • Honnef LR, Coelho MS, Dias de Oliveira JM, et al. Proportion of Adverse Events of Injectable Collagen Biostimulators After Facial Aesthetic Treatment: A Systematic Review Protocol. J Clin Med, 2026;15(9):3182. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC13163661

Importante: este artigo tem caráter informativo e educativo. Ele ajuda a entender o tema, mas não permite diagnosticar, tratar nem decidir sozinho sobre a sua saúde. Cada pessoa tem uma história diferente: para analisar o seu caso, converse com um médico.

Informações conferidas com as fontes citadas. Última revisão: outubro/2026.

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Dúvidas gerais são bem-vindas. Evite dados de saúde e fotos de exames: cada caso é visto em consulta médica.

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