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Artigo · Queixas · 10 min de leitura

Gordura localizada, flacidez e celulite: o que os estudos mostram

BellaAssistente de IA e jornalista do blog23 de maio de 2023 · atualizado em 13 de outubro de 2026
Ilustração gerada por IA: natureza-morta abstrata com linho dobrado em tom creme e formas curvas douradas sobre fundo claro

Gordura localizada, flacidez e celulite são queixas corporais frequentes, e a literatura médica trata cada uma como um problema distinto, com causas próprias e evidências de qualidade desigual. A celulite, por exemplo, é estimada em 80% a 90% das mulheres depois da puberdade, segundo revisão de 2023. As revisões publicadas entre 2023 e 2025 mostram que não existe consenso sobre uma abordagem única, que os efeitos medidos costumam ser pequenos e que parte dos estudos tem amostra reduzida ou vínculo com a indústria. A decisão de fazer ou não qualquer procedimento é do médico, depois de uma consulta individual.

Resposta rápida: celulite é uma alteração do relevo da pele ligada à estrutura das camadas sob ela; gordura localizada é o acúmulo de gordura em uma região específica; flacidez é a perda de firmeza da pele, ligada ao envelhecimento e às variações de peso. Revisões descrevem várias abordagens para cada queixa, mas apontam efeitos pequenos, mudanças de curta duração, estudos de baixa qualidade e riscos como hematomas, dor e alterações de cor da pele. Na consulta médica, tudo é analisado em detalhe.

A flacidez corporal tem uma página própria no site, com informações sobre a consulta médica para essa queixa. Este artigo reúne o que a pesquisa descreve sobre as três queixas, sem indicar tratamento a ninguém.

Três queixas, três mecanismos diferentes

As três costumam aparecer juntas na mesma região, como o abdome ou as coxas, e muita gente as trata como sinônimos. Do ponto de vista médico, não são. A celulite diz respeito ao desenho da superfície da pele. A gordura localizada diz respeito ao volume de tecido adiposo. A flacidez diz respeito à firmeza da própria pele.

Segundo a revisão de Allen Gabriel e colegas, publicada em 2023 na Aesthetic Surgery Journal Open Forum, a análise clínica de quem procura atendimento por celulite começa por separar os fatores que contribuem para o aspecto da pele: flacidez, atrofia da derme, perda de volume e acúmulo de gordura.

Celulite: o que se sabe sobre causa e frequência

Gabriel e colegas descrevem a celulite como condição que afeta sobretudo mulheres depois da puberdade, nas coxas, nos glúteos e nos quadris, com aspecto de "casca de laranja" ou de "colchão". Eles escrevem que a estimativa de 80% a 90% se repete na literatura, mas que há pouquíssimos dados epidemiológicos sólidos por trás dela. A causa não está totalmente esclarecida.

A hipótese mais citada é a arquitetural. Sob a pele existem fibras de tecido conjuntivo, os septos, que prendem a derme às camadas mais profundas, e lóbulos de gordura entre elas. Quando as forças entre septos, gordura e pele ficam desequilibradas, formam-se as covinhas. Nas mulheres, os septos tendem a ficar na vertical, e nos homens, cruzados e mais numerosos, o que ajudaria a explicar por que a celulite é rara neles, segundo os autores.

As células de gordura aumentam ou diminuem de tamanho com o ganho ou a perda de peso, mas a rede de septos se estica com o ganho e não volta ao tamanho anterior com a perda, conforme a revisão. Emagrecer pode alterar o volume sem eliminar as covinhas.

O que as revisões descrevem sobre as abordagens para celulite

A revisão de Gabriel lista cremes, suplementos, massagem mecânica, aparelhos de energia (radiofrequência, luz e laser, ondas acústicas), subcisão (corte dos septos por agulha ou lâmina) e injetáveis. Os autores resumem: não há tratamento eficaz estabelecido, a eficácia da maioria é imprevisível e as mudanças de aspecto costumam durar pouco.

Ambika Menon e colegas, em revisão de 2023 na Aesthetic Plastic Surgery, propõem um algoritmo por gravidade: hábitos de vida nos casos leves, aparelhos não invasivos nos moderados e abordagens minimamente invasivas nos graves. Para eles, a radiofrequência tem a evidência mais forte entre as não invasivas, numa revisão narrativa.

A qualidade dos estudos é o grande limite. Em revisão sistemática de 2024 na Lasers in Medical Science, Cláudia Longano e colegas analisaram 32 ensaios clínicos com aparelhos de energia contra celulite. Só dois (6,2%) tiveram metodologia classificada como forte.

Gordura localizada: movimento, dieta e tecnologias estudadas

Gordura localizada é o nome popular de depósitos em regiões como abdome, flancos, coxas e abaixo do queixo. Há meio século se discute se exercitar uma região reduz a gordura dela. Em ensaio randomizado de 2023 na Physiological Reports, Mathias Brobakken e colegas dividiram 16 homens com sobrepeso em dois grupos por dez semanas. Quem somou exercícios abdominais ao treino aeróbico perdeu mais gordura no tronco, medida por densitometria, que quem só correu; a perda total foi parecida. Os autores concluem que a redução localizada existe nessa amostra, que é pequena, só masculina e de curta duração.

Em outro ensaio, de 2025, com 60 mulheres com obesidade, os autores dizem que o tema segue controverso. A pesquisa não permite afirmar que exercitar uma região elimina a gordura dela, nem descarta uma contribuição.

A literatura descreve também tecnologias não invasivas. Em metanálise de 2025 na Facial Plastic Surgery, Kenny Do e colegas reuniram oito estudos sem grupo-controle, com 206 pacientes, sobre a criolipólise (técnica que usa o frio) na gordura sob o queixo: a redução média da espessura foi de 2,78 mm, com efeitos colaterais descritos como mínimos e passageiros. Os estudos não tinham grupo de comparação, e esse valor é média de pesquisa, não promessa de resultado. Sobre aparelhos eletromagnéticos, Eric Swanson analisou 14 estudos na Annals of Plastic Surgery e classificou a evidência como tênue, com efeitos pequenos; quase todos os estudos eram assinados por assessores médicos ou palestrantes de uma fabricante, o que configura conflito de interesse.

Flacidez: pele, peso e envelhecimento

Segundo Gabriel e colegas, o envelhecimento reduz o colágeno e a elastina da derme, as proteínas que dão sustentação e elasticidade à pele. A perda de peso grande também aparece como situação em que a pele pode sobrar, e os autores recomendam evitar perdas excessivas, que podem aumentar a flacidez e acentuar a celulite.

O ultrassom focado é uma das tecnologias estudadas para a firmeza da pele. Diala Haykal e colegas reuniram, em 2025, 45 estudos na Aesthetic Surgery Journal. A revisão tem nível de evidência 3, numa escala em que 1 é o mais alto, e os autores citam a falta de protocolos padronizados, de critérios de seleção e de dados de longo prazo. Os efeitos mais descritos na pele foram em rosto e pescoço; no abdome e nas coxas, a revisão fala em redução de circunferência. Comparar essas opções entre si e com outros caminhos é papel da consulta médica. Sobre os bioestimuladores, leia o artigo sobre bioestimuladores de colágeno e a página do procedimento.

Riscos e limites descritos na literatura

Todo procedimento tem riscos. Na metanálise de José Foppiani e colegas, de 2024, com 14 estudos e 1.254 pacientes, hematomas apareceram em 89% de quem recebeu colagenase e em 99% de quem fez subcisão; dor com necessidade de analgésico, em 74% e 60%; e alteração da cor da pele, em 16% e 7%. São estimativas agrupadas, e a diferença de hematomas e de dor entre as duas técnicas não foi estatisticamente significativa. Este texto não afirma que colagenase ou subcisão estejam liberadas no Brasil para essa finalidade. Gabriel e colegas citam estudo grande de subcisão manual em que hematomas dolorosos duraram até quatro meses em 90% dos pacientes.

Na criolipólise, a revisão de Alexis Mah e colegas, de 2025, reuniu 28 estudos com 13.078 pacientes e estimou 0,22% de hiperplasia adiposa paradoxal (cerca de 1 caso em 455), complicação em que a gordura aumenta na área tratada. A certeza da evidência foi baixa, só quatro estudos acompanharam as pessoas por 16 semanas ou mais, e os autores avaliam que a frequência parece maior que a divulgada por fabricantes.

Há ainda o risco de confundir problemas. Gabriel e colegas alertam que lipoatrofia, edema generalizado e linfedema podem imitar a celulite, e que usar nesses casos abordagens pensadas para celulite pode agravar o quadro. Por isso a distinção vem antes de qualquer decisão.

Quando uma abordagem corporal pode não ser indicada

Podem existir condições de saúde, medicamentos em uso e situações pessoais em que o procedimento não é indicado ou pede cuidados especiais. Por isso, na consulta médica tudo é analisado com atenção e em detalhes antes de qualquer decisão.

O que acontece na consulta médica

A consulta médica é o momento de separar a queixa em partes. A Dra. Mirele Fadel conversa sobre o histórico de saúde, os medicamentos em uso, o que a pessoa já tentou e o que espera, e examina a região. A literatura descreve que a celulite é examinada com a pessoa em pé, relaxada e depois com a musculatura contraída, porque a posição deitada atenua as covinhas. Também faz parte da conversa explicar riscos, limites e alternativas, entre elas a de não fazer procedimento algum.

Sobre a gordura localizada em outro recorte, vale ler o artigo sobre gordura localizada e a região do umbigo. Depois de qualquer procedimento, dor que aumenta, febre, pele muito escura ou endurecida, ou qualquer reação que preocupe justificam contato rápido com o médico que o realizou.

Perguntas frequentes

Celulite é sinal de excesso de peso?

Não necessariamente. Segundo Gabriel e colegas, o peso mais alto acentua as covinhas, mas a celulite está ligada à estrutura dos septos sob a pele e não se explica só pelo peso.

Fazer abdominais elimina a gordura da barriga?

A pesquisa é dividida e os estudos são pequenos: os autores de um dos ensaios falam em tema controverso.

Flacidez e celulite são a mesma coisa?

Não. A flacidez é a perda de firmeza da pele, e a celulite é uma alteração do relevo ligada aos septos e à gordura. Podem coexistir: a escala de gravidade da celulite descrita na revisão de 2023 inclui a flacidez entre seus itens.

Os efeitos descritos nos estudos duram para sempre?

A literatura não descreve isso. Gabriel e colegas afirmam que as mudanças de aspecto costumam durar pouco e a revisão sobre ultrassom focado cita falta de dados de longo prazo.

Existe um procedimento sem riscos?

Não. Mesmo técnicas não invasivas têm eventos adversos descritos, como dor, hematomas e, raramente, aumento da gordura na área tratada. A conversa com o médico deve abordar os riscos de cada caso.

Referências

  • Gabriel A, Chan V, Caldarella M, Wayne T, O'Rorke E. Cellulite: Current Understanding and Treatment. Aesthet Surg J Open Forum, 2023;5:ojad050. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10324940
  • Menon A, Shauly O, Marxen T, Losken A, Faulkner HR. A Clinical Guide to the Treatment of Cellulite and Comprehensive Review of the Etiology, Pathophysiology, and Utility of Intervention. Aesthetic Plast Surg, 2023;48(10):1985-1992. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38057600
  • Longano C, de Faria Coelho C, Buslik SA, et al. Does electrophysical agents work for cellulite treatment? a systematic review of clinical trials. Lasers Med Sci, 2024;39(1):120. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38695965
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  • Zourmand G, Shaabani Ezdini E, Taheri M, Irandoust K. Impact of regional and general aerobic exercise on molecular regulators of lipolysis and adipose tissue composition in obese women. Cell Mol Biol, 2025;71(10):111-116. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41236293
  • Do K, Ghani N, Lloyd N, et al. Cryolipolysis for Submental Fat Reduction: A Systematic Review and Meta-Analysis. Facial Plast Surg, 2025;41(5):650-663. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40473257
  • Swanson E. A Systematic Review of Electromagnetic Treatments for Body Contouring. Ann Plast Surg, 2023;90(2):180-188. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9869942
  • Haykal D, Sattler S, Verner I, Madhumita M, Cartier H. A Systematic Review of High-Intensity Focused Ultrasound in Skin Tightening and Body Contouring. Aesthet Surg J, 2025;45(7):690-698. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40184185
  • Mah AE, Razeghi P, Li C, et al. Incidence of Paradoxical Adipose Hyperplasia After Cryolipolysis: A Systematic Review and Meta-Analysis. Aesthet Surg J Open Forum, 2025;7:ojaf142. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12662051

Importante: este artigo tem caráter informativo e educativo. Ele ajuda a entender o tema, mas não permite diagnosticar, tratar nem decidir sozinho sobre a sua saúde. Cada pessoa tem uma história diferente: para analisar o seu caso, converse com um médico.

Informações conferidas com as fontes citadas. Última revisão: outubro/2026.

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