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Artigo · Toxina Botulínica · 10 min de leitura

Platisma e mandíbula: o que os estudos dizem sobre a toxina

BellaAssistente de IA e jornalista do blog21 de setembro de 2020 · atualizado em 13 de outubro de 2026
Ilustração gerada por IA: fita de seda dourada em curva suave sobre uma bancada de mármore creme, em tons de ouro champanhe e tinta

O platisma é um músculo fino e largo que cobre o pescoço e chega à parte baixa do rosto. Quando ele se contrai com força, aparecem as bandas verticais sob o queixo, e a literatura médica associa essa mesma atividade ao desenho da linha da mandíbula. Revisões e ensaios clínicos publicados nos últimos anos avaliam a aplicação de toxina botulínica tipo A nessa região, com resultados medidos em escalas e com riscos descritos, entre eles dificuldade para engolir e fraqueza do pescoço. Os estudos não valem como promessa para quem lê, e a decisão é sempre do médico, depois de uma consulta individual.

Resposta rápida: o platisma desce o canto da boca e o terço inferior da face e, ao se contrair, forma as bandas do pescoço. A literatura descreve a toxina botulínica tipo A nesse músculo, com ensaios controlados por placebo e revisões, mas muitos estudos têm vínculo com fabricantes e acompanhamento curto. Há riscos funcionais, como dificuldade para engolir, alteração da voz e fraqueza dos músculos do pescoço. A indicação é seletiva e depende de consulta médica.

A toxina botulínica tipo A tem uma página própria no site. O artigo sobre os três terços da face situa o terço inferior no conjunto do rosto; aqui, o foco é o pescoço e a mandíbula.

O platisma é um músculo fino que liga o pescoço ao rosto

Segundo revisão anatômica publicada em 2022 na revista Toxins, por Kyu-Ho Yi e colegas, o platisma é um músculo superficial, fino e largo, situado logo abaixo da gordura da pele e coberto por ela, que reveste grande parte do pescoço. Em cima, suas fibras se misturam com os músculos que abaixam o lábio e o canto da boca e, nas laterais, com o sistema musculoaponeurótico superficial, a camada de sustentação do rosto. A inervação vem do ramo cervical do nervo facial.

Segundo os autores, a parte superior do platisma participa da expressão e puxa o canto da boca para baixo. As bandas verticais são duas faixas de músculo que ficam evidentes na hipercontração e se acentuam com a idade. A revisão cita um estudo observacional com 25 pessoas com paralisia facial unilateral que não tinham bandas do platisma, dado que a revisão usa para sugerir relação com a atividade do músculo e não só com a flacidez da pele.

Uma informação anatômica mais recente vem de Yi e colegas, em comentário clínico de 2025 no J Cosmet Dermatol. Em dissecções coradas para mapear os nervos, os autores observaram que as placas motoras, onde o nervo se encontra com o músculo, se concentram na parte superior do platisma, enquanto o terço inferior é inervado sobretudo por nervos sensitivos. O texto é uma observação clínica sem grupo-controle, e os próprios autores o descrevem como preliminar.

O que as revisões descrevem sobre a toxina botulínica tipo A no platisma

Em 2018, um painel de nove médicos italianos publicou no J Cosmet Dermatol um consenso de especialistas que incluiu as bandas do platisma entre os usos com recomendações de locais de injeção. Consenso reflete a prática de um grupo e tem peso de evidência menor que o de um ensaio controlado.

No ano seguinte, a revisão sistemática de Sugrue e colegas, no Aesthetic Surgery Journal, reuniu apenas três estudos, com 78 pacientes com bandas leves a moderadas, com evidência de nível 4 (baixo). Complicações foram registradas em 15,4% (12 de 78), nenhuma exigiu nova intervenção.

De 2024 em diante vieram ensaios maiores. Um estudo de fase 2 (Rohrich e colegas, Plastic and Reconstructive Surgery) randomizou 171 adultos com proeminência moderada a grave do platisma (164 na análise principal), quase todos mulheres brancas, com idade média de 50 anos, para duas faixas de dose ou placebo, com seguimento de quatro meses. Segundo os autores, o evento relacionado ao produto mais frequente foi a fraqueza dos músculos do pescoço, no grupo da dose maior. O estudo foi financiado por uma fabricante, que participou do desenho e da análise, e parte dos autores é funcionária dela.

Um ensaio de fase 3, duplo-cego e controlado por placebo (Fabi e colegas, 2025), acompanhou os participantes por 120 dias após uma sessão. Os autores relatam frequência de eventos adversos semelhante à do placebo e nenhum caso de dificuldade para engolir ou de fraqueza muscular. Houve uma única aplicação, e os autores têm vínculo com uma fabricante.

Duas metanálises reuniram esses ensaios. Na de Syed e colegas, de 2026, entraram três ensaios randomizados com 912 participantes (483 com toxina e 429 com placebo). Mais pessoas do grupo com toxina tiveram mudança de pelo menos um grau nas escalas, e os eventos adversos tiveram incidência semelhante entre os grupos, em geral leves, como hematoma no local da injeção. A de Udoma-Udofa e colegas, de 2025, chegou a conclusão parecida com os mesmos três ensaios. Os três ensaios testaram o mesmo produto, de uma fabricante. Os autores da primeira apontam limites: os participantes eram em sua maioria mulheres brancas, e a maior parte dos ensaios cobriu uma única sessão e 120 dias, o que restringe o que se pode dizer sobre duração e segurança em longo prazo.

Um estudo de extensão de fase 3 (Mraz e colegas, 2026), financiado por uma fabricante que participou do desenho e da análise, acompanhou participantes que receberam até quatro sessões. Todos os eventos adversos relacionados ao tratamento foram leves. Entre os 350 participantes analisados em segurança, quatro (1,1%) tiveram seis eventos de interesse especial, como dificuldade para engolir e paresia facial, e a maioria se resolveu até o fim do estudo.

Esses dados vêm de grupos selecionados e de um produto específico: não se estendem a outras toxinas nem a outras doses, e não valem como promessa de resultado para uma pessoa em particular.

A linha da mandíbula é descrita como proposta, sem consenso único

Como o platisma puxa o canto da boca e o terço inferior da face para baixo, alguns autores propõem enfraquecê-lo perto da borda da mandíbula. Na revisão de 2022, a ideia é chamada de rebalanceamento entre os músculos que elevam e os que abaixam a face. Os autores reconhecem que não há ensaios clínicos suficientes nem painel de consenso que sustente uma abordagem única, e que a técnica que propõem não foi demonstrada como superior ou mais segura que as outras.

A leitura é esta: para as bandas verticais há ensaios controlados por placebo; para a definição da borda da mandíbula, há relatos, revisões narrativas e propostas de autores.

A situação de bula depende do produto, da região e do país, e muda com o tempo. Por isso, uma pergunta objetiva para a consulta médica é se aquele uso consta na bula do produto escolhido. Quando não consta, trata-se de uso fora da bula, o que exige conversa franca sobre benefícios, riscos e incertezas.

Dificuldade para engolir e fraqueza do pescoço são os riscos funcionais descritos

O platisma é fino e fica sobre músculos mais profundos do pescoço. A revisão de Yi e colegas de 2022 afirma que o excesso de dose ou a difusão da toxina para músculos vizinhos pode causar dificuldade para engolir (disfagia), alteração da voz (disfonia) e fraqueza dos músculos do pescoço, e que a passagem para os músculos que abaixam o lábio inferior pode gerar um sorriso assimétrico. Os autores recomendam conhecimento anatômico preciso, e citam a ultrassonografia como apoio para localizar o músculo.

Os ensaios apontam na mesma direção, com frequências baixas nos grupos estudados. No comentário clínico de 2025, os autores afirmam que a aplicação no terço inferior do platisma traz pouco benefício e pode enfraquecer músculos de sustentação do pescoço, principalmente em pessoas mais velhas. É opinião baseada em observação clínica, e não em ensaio comparativo.

Quando a toxina no platisma pode não ser indicada

Podem existir condições de saúde, medicamentos em uso e situações pessoais em que o procedimento não é indicado ou pede cuidados especiais. Por isso, na consulta médica tudo é analisado com atenção e em detalhes antes de qualquer decisão.

Há ainda limites que a literatura descreve. Os ensaios incluíram adultos com bandas visíveis na contração máxima. Excesso de pele, gordura sob o queixo ou linhas horizontais não são o mesmo problema que bandas musculares, e a escolha do recurso, quando houver, é médica.

Como a consulta médica analisa o pescoço e a linha da mandíbula

Na consulta médica, a Dra. Mirele Fadel analisa o rosto e o pescoço em repouso e em movimento, ouve a queixa e conversa sobre histórico de saúde, medicamentos em uso e expectativas. É nesse momento que se define se existe indicação, se há alternativa mais adequada e quais riscos pesam no caso individual, incluindo o fato de que muitos estudos têm vínculo com fabricantes.

Veja também os artigos sobre o terço inferior da face e a duração da toxina botulínica.

Depois de qualquer aplicação, dificuldade para engolir, falar ou respirar, sensação de cabeça pesada, assimetria no sorriso ou qualquer reação que preocupe justificam contato rápido com o médico que fez o procedimento.

Perguntas frequentes

Existem estudos controlados sobre a toxina botulínica tipo A no pescoço?

Sim, para as bandas verticais. Há ensaios de fase 2 e 3 contra placebo e metanálises, mas vários têm autores vinculados a fabricantes e acompanhamento de até 120 dias na maioria dos casos.

A aplicação na linha da mandíbula tem consenso?

Não. A revisão de 2022 reconhece a falta de ensaios clínicos suficientes e de painel de consenso que apoie uma técnica única para essa região.

Quais são os riscos descritos?

Dificuldade para engolir, alteração da voz, fraqueza dos músculos do pescoço e assimetria do sorriso, ligadas à passagem da toxina para músculos vizinhos. Nos ensaios, os eventos foram pouco frequentes e, em geral, leves.

Esse uso consta na bula?

Depende do produto e da época. A pergunta deve ser feita na consulta médica. Quando o uso não consta na bula, ele é fora da bula e precisa ser conversado com franqueza.

Referências

  • Yi KH, Lee JH, Lee K, Hu HW, Lee HJ, Kim HJ. Anatomical Proposal for Botulinum Neurotoxin Injection Targeting the Platysma Muscle for Treating Platysmal Band and Jawline Lifting: A Review. Toxins, 2022;14(12):868. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9783622
  • Yi KH, Wong IKJ, Wan J. Optimizing Botulinum Toxin Injections in the Platysma Muscle Based on Motor Nerve Distribution. J Cosmet Dermatol, 2025;24(7):e70301. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12202260
  • Bertossi D, Cavallini M, Cirillo P, et al. Italian consensus report on the aesthetic use of botulinum toxin A. J Cosmet Dermatol, 2018;17(5):719-730. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30091253
  • Sugrue CM, Kelly JL, McInerney N. Botulinum Toxin Treatment for Mild to Moderate Platysma Bands: A Systematic Review of Efficacy, Safety, and Injection Technique. Aesthet Surg J, 2019;39(2):201-206. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30052764
  • Rohrich RJ, Bertucci V, Dayan S, et al. Efficacy and Safety of Botulinum Toxin Type A for the Treatment of Platysma Prominence: A Randomized Phase 2 Dose-Ranging Study. Plast Reconstr Surg, 2025;155(1):79-88. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11651349
  • Fabi S, Humphrey S, Biesman B, et al. Improvement of platysma prominence with botulinum toxin type A: Safety and efficacy results from a randomized, double-blinded, placebo-controlled phase 3 trial. J Am Acad Dermatol, 2025;92(2):285-291. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39442886
  • Mraz D, Hanke CW, Papel I, et al. Botulinum Toxin Type A for Platysma Prominence: Safety and Efficacy Results from a Phase 3 Open-Label Repeat Treatment Study. Plast Reconstr Surg, 2026;158(1):78-87. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC13290051
  • Syed R, Khan AA, Shah S, et al. Efficacy and Safety of Botulinum Toxin Type A for the Treatment of Platysma Prominence: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. J Cosmet Dermatol, 2026;25(2):e70701. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12855634
  • Udoma-Udofa OC, Ribeiro LFS, de Freitas LR, et al. Efficacy and safety of botulinum toxin A in the treatment of platysma prominence: A systematic review and meta-analysis of randomized clinical trials. J Plast Reconstr Aesthet Surg, 2025;111:245-255. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41197348

Importante: este artigo tem caráter informativo e educativo. Ele ajuda a entender o tema, mas não permite diagnosticar, tratar nem decidir sozinho sobre a sua saúde. Cada pessoa tem uma história diferente: para analisar o seu caso, converse com um médico.

Informações conferidas com as fontes citadas. Última revisão: outubro/2026.

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