7 dicas de proteção solar para usar o ano inteiro

A radiação ultravioleta do sol não se vê nem se sente, e é a principal causa do câncer de pele. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1,5 milhão de cânceres de pele foram diagnosticados no mundo em 2020, com mais de 120 mil mortes associadas. No Brasil, o Ministério da Saúde atribui a doença principalmente à exposição excessiva ao sol. A boa notícia é que a proteção é um conjunto de hábitos simples, e o protetor solar é apenas uma das peças.
Resposta rápida: a SBD (sociedade médica brasileira da área da pele) recomenda protetor solar com FPS de pelo menos 30, aplicado em quantidade generosa e reaplicado a cada 2 horas. A OMS lembra que sombra e roupa protegem melhor do que o protetor, e que ele não serve para prolongar o tempo ao sol. As 7 dicas deste texto:
- Proteger a pele também em dia nublado e fora do verão.
- Escolher produto com proteção contra UVA e UVB, e FPS 30 ou mais.
- Passar uma quantidade maior do que a maioria das pessoas usa.
- Aplicar de 15 a 30 minutos antes de sair e reaplicar a cada 2 horas.
- Evitar o sol nas horas mais fortes do meio do dia e procurar sombra.
- Usar chapéu de aba larga, roupa fechada e óculos com filtro UV.
- Observar a pele e procurar um médico diante de qualquer lesão que mude.
UVA e UVB chegam à pele mesmo em dia nublado
O Consenso Brasileiro de Fotoproteção, publicado pela SBD em 2014 nos Anais Brasileiros (An Bras Dermatol), divide a radiação ultravioleta em três faixas: UVC (100 a 280 nm), UVB (280 a 315 nm) e UVA (315 a 400 nm). A UVC é totalmente absorvida pela atmosfera. A UVB é em grande parte retida pela camada de ozônio, de modo que a radiação ultravioleta que alcança a superfície é composta principalmente por UVA.
O mesmo documento explica que nuvens grossas reduzem bastante a radiação, mas nuvens finas bloqueiam só parte dela, e que em certos momentos as nuvens podem até intensificá-la. A altitude também pesa: a radiação aumenta cerca de 5% a 10% a cada mil metros. O Ministério da Saúde resume o que isso significa no dia a dia: em dias nublados também é importante usar as proteções necessárias.
A OMS usa o Índice UV como referência. Segundo a organização, as medidas de proteção devem ser adotadas quando o índice chega a 3 ou mais.
O que o FPS mede e o que ele não mede
De acordo com o Consenso Brasileiro de Fotoproteção, o fator de proteção solar (FPS) é a razão entre a dose de radiação necessária para provocar vermelhidão na pele protegida e na pele sem proteção, medida em voluntários com uma quantidade de produto de 2 mg por centímetro quadrado. Em outras palavras, mede a proteção contra a queimadura, que é causada principalmente pela UVB. O próprio consenso afirma que o FPS é uma medida de proteção contra queimadura solar, e não contra câncer de pele, e que não é um método adequado para medir a UVA.
Por isso, o rótulo precisa ir além do número. Pelas regras brasileiras citadas no consenso, um produto só pode declarar proteção UVA ou de amplo espectro se o fator de proteção UVA for pelo menos um terço do FPS e se o comprimento de onda crítico for de 370 nm ou mais. Na prática, vale procurar a indicação de amplo espectro ou de proteção UVA na embalagem.
Quanto ao número mínimo, o consenso registra que a SBD recomenda FPS 30 ou mais, com a ressalva de que valores menores podem ser considerados em situações particulares, como em pessoas afrodescendentes. Para quem tem melasma, o documento indica produtos de amplo espectro com FPS de pelo menos 30, de preferência acima de 50. Quem busca entender melhor as manchas na pele encontra nessa página como a consulta médica aborda o tema.
Filtros químicos e físicos: a escolha depende da pele
O consenso diferencia dois grupos de filtros. Os orgânicos, chamados de químicos, absorvem a radiação. Os inorgânicos, ou físicos, como o óxido de zinco e o dióxido de titânio, a refletem.
A preferência por um tipo ou outro varia conforme a pele e a idade. Segundo o consenso, para crianças de 6 meses a 2 anos, recomenda-se produto com filtros majoritariamente ou totalmente inorgânicos; acima de 2 anos, um equilíbrio entre os dois tipos. Na região dos olhos, os filtros físicos são os preferidos pelo baixo potencial de alergia e irritação, e quem já teve dermatite de contato causada por protetor solar deve buscar fórmulas só com filtros inorgânicos e sem perfume. Para pele oleosa ou com acne, o documento indica os géis, de aplicação fácil e secagem rápida.
A luz visível também entra na conversa. O consenso explica que a proteção contra ela funciona por reflexão, geralmente com pigmentos, e por isso os produtos com cor costumam ser os indicados quando essa proteção é uma preocupação, como nas manchas.
Quantidade, momento certo e reaplicação
É aqui que a maior parte das pessoas perde proteção. O consenso afirma que a quantidade de referência é de 2 mg por centímetro quadrado, mas que, na vida real, as pessoas aplicam entre 30% e 50% disso, o que reduz de forma importante o FPS efetivo. A regra prática descrita no documento é a da colher de chá: uma para a cabeça e uma para cada braço, duas para o tronco e duas para cada perna. Para um adulto médio (70 kg e 1,70 m), isso significa algo entre 35 e 40 gramas para o corpo inteiro.
O momento da aplicação também conta. O consenso orienta passar o produto de 15 a 30 minutos antes da exposição, com a pele pouco coberta por roupa, e reaplicar a cada 2 horas ou depois de longo tempo na água. Mesmo os produtos resistentes à água precisam ser repassados depois de ficar muito tempo na água. O Ministério da Saúde também orienta reaplicar o filtro solar a cada duas horas.
A OMS faz um alerta que costuma passar despercebido: segundo a organização, os protetores não devem ser usados para estender o tempo passado ao sol. Passar o filtro e ficar horas a mais na praia vai contra o sentido da recomendação.
Horário, sombra, roupa e chapéu fazem parte da proteção
Para a OMS, a proteção solar é obtida melhor buscando sombra e usando roupas do que aplicando protetores. A organização recomenda limitar o tempo ao sol do meio do dia, usar roupa que proteja, chapéu de aba larga que cubra olhos, rosto, orelhas e pescoço, e óculos com 99% a 100% de proteção contra UVA e UVB. O Ministério da Saúde orienta evitar o sol entre 10h e 16h, e o consenso brasileiro recomenda não se expor entre 10h e 15h, considerando o horário de verão quando houver. O consenso ressalta ainda que os horários vistos como mais amenos, antes das 10h e depois das 16h, também podem ter índice UV alto.
Sobre o chapéu, o consenso informa que abas com mais de 7,5 cm dão mais proteção ao nariz, às bochechas, ao pescoço e ao queixo, enquanto abas estreitas, com menos de 2,5 cm, oferecem pouco. Quem quiser entender melhor as áreas do rosto pode ler o artigo sobre o terço médio da face.
Roupas também variam bastante. O documento classifica o fator de proteção da roupa (UPF): de 15 a 20 é bom, de 21 a 35 muito bom e de 40 a 50 ou mais excelente, e informa que a roupa com UPF 40 a 50 deixa passar cerca de 2,6% da radiação. Tecidos de trama fechada e cores escuras protegem mais. Uma camiseta de algodão leve pode ter UPF abaixo de 10, e o tecido molhado pode perder cerca de metade da proteção, como numa camiseta branca. A sombra de árvore ou guarda-sol ajuda, mas o consenso adverte que ela não deve ser a única estratégia, porque a radiação se espalha e chega pelas laterais.
Mitos frequentes sobre o sol
Alguns equívocos se repetem. O primeiro é achar que só o verão pede proteção: como a UVA chega o ano todo e atravessa nuvens finas, o cuidado vale em todas as estações. O segundo é acreditar que FPS alto permite ficar mais tempo ao sol, o que a OMS desaconselha de forma explícita. O terceiro é pensar que uma única aplicação de manhã protege o dia inteiro; a recomendação de reaplicar a cada 2 horas existe porque o produto sai com suor, atrito e água.
Outro mito é o de que o vidro protege de tudo. No capítulo sobre barreiras físicas, o consenso relata que todos os tipos de vidro testados reduziram a UVA e bloquearam a UVB por completo, e que o vidro laminado foi o mais eficiente contra a UVA. Isso descreve o vidro de janelas e de carros em geral, e não significa que quem passa o dia ao lado de uma janela possa ignorar o assunto, já que a eficácia varia conforme o tipo de vidro.
Há ainda o cuidado com bebês. O consenso indica que menores de 6 meses devem ficar longe do sol direto, com roupas, chapéu e sombra, e que o protetor solar não é recomendado nessa idade, a não ser em casos excepcionais prescritos por um médico. A OMS acrescenta que crianças e adolescentes são especialmente vulneráveis e que queimaduras na infância aumentam o risco de câncer de pele mais tarde.
Quando procurar um médico
Segundo o Ministério da Saúde, que cita estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para 2020, eram esperados cerca de 176.930 novos casos de câncer de pele não melanoma e 8.450 de melanoma no Brasil. A pele é o órgão mais fácil de observar, e o próprio Ministério lista os sinais que justificam uma consulta: manchas que coçam, descamam ou sangram; pintas ou sinais que mudam de tamanho, forma ou cor; e feridas que não cicatrizam em quatro semanas. A orientação oficial é procurar o profissional de saúde assim que qualquer um desses sinais aparecer.
Na maior parte das vezes essas alterações não são câncer, e justamente por isso a decisão não deve ser tomada em casa. Na consulta médica, a Dra. Mirele analisa o histórico, a pele e o caso de cada pessoa. Quem quiser ler o que a literatura descreve sobre os danos do sol já acumulados na pele encontra o tema no artigo sobre toxina, skinbooster e laser.
Perguntas frequentes
Qual FPS é o mais indicado?
Segundo o Consenso Brasileiro de Fotoproteção, a SBD recomenda FPS 30 ou mais. O consenso admite valores menores em situações particulares, e a escolha final cabe ao médico, que considera a pele e a rotina de cada pessoa.
Preciso usar protetor solar em casa?
Os materiais consultados não trazem uma regra única para quem fica o dia todo em ambiente fechado. O consenso relata que o vidro reduz a UVA e bloqueia a UVB, mas a proteção varia conforme o tipo de vidro, e por isso a conversa sobre o assunto deve ser individual.
De quanto em quanto tempo devo reaplicar?
A recomendação do consenso e do Ministério da Saúde é a cada 2 horas, e também depois de entrar na água ou transpirar muito, mesmo com produto resistente à água.
Bebês podem usar protetor solar?
Para menores de 6 meses, o consenso não recomenda protetor solar e orienta evitar o sol direto, com roupas, chapéu e sombra. A exceção é uma prescrição médica específica.
Que sinais na pele pedem consulta?
O Ministério da Saúde cita manchas que coçam, descamam ou sangram, pintas que mudam de tamanho, forma ou cor, e feridas que não cicatrizam em quatro semanas.
Referências
- Schalka S, et al. Consenso Brasileiro de Fotoproteção. An Bras Dermatol, 2014;89(6 Supl 1):1-74. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4365470
- Organização Mundial da Saúde. Ultraviolet radiation (folha informativa). who.int/news-room/fact-sheets/detail/ultraviolet-radiation
- Ministério da Saúde. Câncer de pele. gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/cancer-de-pele
Importante: este artigo tem caráter informativo e educativo. Ele ajuda a entender o tema, mas não permite diagnosticar, tratar nem decidir sozinho sobre a sua saúde. Cada pessoa tem uma história diferente: para analisar o seu caso, converse com um médico.
Informações conferidas com as fontes citadas. Última revisão: outubro/2026.
Comentários
Leia também

Acne: causas, cuidados diários e quando procurar um médico
A acne é uma doença inflamatória crônica da unidade formada pelo folículo do pelo e pela glândula sebácea, e é descrita como…

Poluição e pele: o que os estudos descrevem e onde há dúvida
A poluição do ar chega ao pulmão e encosta na pele, o órgão que fica em contato direto com ela o dia…

Bioestimuladores de colágeno: o que são e o que dizem os estudos
Bioestimuladores de colágeno são materiais injetáveis que não funcionam como simples preenchimento: depois de aplicados, provocam uma reação controlada do organismo, que…

Tenha um dia iluminado.
Que nossa coragem seja maior que os nossos medos e que a nossa força seja tão grande quando a nossa fé. Tenha…