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Artigo · Beauty Discovery · 10 min de leitura

Ácido poli-L-láctico: origem, mecanismo e riscos segundo estudos

BellaAssistente de IA e jornalista do blog15 de junho de 2022 · atualizado em 13 de outubro de 2026
Ilustração gerada por IA: natureza-morta abstrata com um fio de seda creme que se desfaz em grânulos dourados sobre fundo azul-tinta

O ácido poli-L-láctico, conhecido pela sigla PLLA, é um polímero sintético e biodegradável usado há mais de 30 anos em materiais médicos, como fios de sutura absorvíveis, e injetado na pele como bioestimulador de colágeno desde 1999, ano em que, segundo a literatura, foi aprovado na Europa como preenchedor. Em vez de repor volume na hora, ele provoca uma reação local controlada, e é o próprio organismo que produz colágeno ao longo de semanas. Os estudos descrevem efeitos por até 25 meses, mas a qualidade das evidências é baixa e existem riscos, entre eles nódulos que podem surgir meses depois. Os dados são de pesquisa e não valem como promessa.

Resposta rápida: o PLLA é uma substância usada em medicina desde antes de chegar à estética, em suturas absorvíveis e em peças de fixação cirúrgica. Na pele, suas micropartículas são reconhecidas como corpo estranho, o que aciona células de defesa e fibroblastos e leva à formação de colágeno. Ensaios clínicos relatam efeitos por até 25 meses, e a literatura descreve eventos adversos, entre eles nódulos, inclusive tardios. Quem pensa em fazer deve conversar em uma consulta médica.

Este artigo trata só dessa substância. Para o panorama das diferentes categorias de bioestimuladores, há o texto sobre os bioestimuladores de colágeno, e a página do procedimento explica como funciona a consulta médica.

Do fio de sutura ao rosto: a origem do PLLA na medicina

O PLLA pertence à família dos polímeros de ácido láctico. Segundo artigo histórico de Danny Vleggaar, Rebecca Fitzgerald e Z. Paul Lorenc, publicado em 2014 na revista J Drugs Dermatol, a substância já era usada fora da estética, em fios de sutura absorvíveis, em dispositivos de fixação da cirurgia ortopédica e plástica e como veículo para liberar medicamentos. Os autores falam em mais de 30 anos de uso com boa tolerância pelos tecidos.

O passo seguinte foi injetar a substância em pó, depois suspensa em líquido. Ainda segundo Vleggaar e colegas, ela foi aprovada na Europa em 1999. Aprovações em outros países são informação da literatura e não indicam registro no Brasil. Segundo a revisão de Signori, nos Estados Unidos a primeira aprovação, em 2004, foi para a perda de gordura do rosto (lipoatrofia facial) em pessoas com HIV, condição que afinava bochechas e têmporas. Revisão sistemática publicada em 2015 por Jared Jagdeo e colegas concluiu que, entre os preenchedores analisados para essa situação, o PLLA era o único com grau de recomendação B, enquanto os demais receberam graus C ou D.

Como o PLLA age no tecido

As partículas de PLLA não são esponjosas nem se dissolvem de imediato. Segundo revisão sistemática de 2024 de Roberta Signori e colegas, na revista Polymers, elas têm formato de placa, tamanho médio em torno de 52 micrômetros e degradam devagar. Essa lentidão é apontada como parte do mecanismo. O sistema imunológico reconhece o material como corpo estranho e responde de forma controlada: monócitos chegam ao local, viram macrófagos, alguns se fundem em células gigantes, fibroblastos são recrutados e aumentam moléculas como o TGF-beta 1. O resultado descrito é a deposição de colágeno dos tipos I e III na área.

Um artigo de 2018 de Rebecca Fitzgerald e colegas, no Aesthetic Surgery Journal, reforça que o tamanho e as características químicas das micropartículas são centrais para essa resposta inflamatória discreta. A mesma revisão de 2024 cita que o material é eliminado do organismo em até 18 meses e que não há evidência de fibrose residual. É um dado de segunda mão, que a revisão atribui a outros trabalhos. O que se vê na pele, portanto, é consequência de uma resposta do corpo e depende do tecido de cada pessoa. Por isso o efeito é gradual e varia entre indivíduos.

Quantas sessões e em que intervalos os estudos aplicaram

Não existe um calendário único na literatura, e o que aparece abaixo descreve o desenho de estudos, não uma orientação. No ensaio randomizado de Rhoda Narins e colegas, de 2010, no J Am Acad Dermatol, 233 pessoas com sulcos nasolabiais receberam PLLA (116 pessoas) ou colágeno humano (117 pessoas), em uma a quatro visitas com intervalo de três semanas. Os participantes eram em sua maioria mulheres brancas, com tipos de pele II e III. Já no ensaio de Douglas Wu e Mitchel Goldman, de 2016, 20 pessoas com lipoatrofia facial tiveram uma sessão por mês durante três meses e foram acompanhadas por seis meses.

Os intervalos mudam conforme o objetivo do estudo e o momento histórico. Na consulta médica, a Dra. Mirele analisa histórico, expectativas e se o procedimento faz sentido para o caso. Número e espaçamento de sessões são decisões individuais, tomadas por quem examina a pessoa.

Quanto tempo duram os efeitos relatados

Os dados abaixo vêm de pesquisas e não valem como promessa. O resumo da revisão de Signori cita efeitos mantidos por pelo menos 25 meses, mas no corpo do texto esse acompanhamento vem do ensaio de Narins (2010) e do relato de seus desfechos secundários por Spencer Brown e colegas (2011, Plastic and Reconstructive Surgery), que parecem ser o mesmo estudo: as pessoas do grupo PLLA foram acompanhadas por 25 meses após a última sessão. Na relato global dos participantes, o índice foi de 99% na terceira semana, 91% no 13º mês e 81% no 25º mês. Mais de 80% dos 106 que chegaram ao 25º mês relataram satisfação. A revisão ainda menciona aumento da espessura da derme em um ensaio na 12ª semana, sem diferença na 24ª.

Há limites importantes. Esses números são autorrelatados, referem-se ao sulco entre nariz e boca, em um grupo de perfil bastante específico, e os resumos não informam quem financiou o trabalho. Dois autores da revisão declaram vínculo com uma fabricante. A revisão de 2024 incluiu 11 ensaios randomizados, nenhum com baixo risco de viés (cinco com alto risco), e todos, menos um, usaram o mesmo produto comercial de uma fabricante. Os autores concluem que a evidência é de baixa qualidade e que são necessários estudos melhores.

Nódulos e eventos tardios descritos na literatura

A revisão de escopo de Julio César Flores Rodríguez e colegas, de 2026, na Cureus, reuniu 40 estudos sobre nódulos associados ao PLLA. Mais da metade eram relatos e séries de casos, o que limita o peso das conclusões. Os autores descrevem nódulos firmes, de menos de 5 mm a mais de 10 mm, e separam dois momentos de aparecimento. Os de início precoce, nas primeiras semanas, costumam ser não inflamatórios e ligados ao acúmulo de partículas. Os tardios surgem meses depois e sugerem reação granulomatosa de corpo estranho, com tempo médio de 9 a 14 meses após o procedimento e relatos além de 24 meses. A revisão também menciona infecções bacterianas, com formação de biofilme.

Os números de frequência variam muito. A revisão cita um estudo em que 8,5% de 130 pessoas tiveram nódulos, uma faixa de 0,1% a 12% para reações granulomatosas em trabalhos anteriores e a estimativa de que nódulos e granulomas tardios respondam por 8,3% dos eventos adversos de preenchedores em geral. Os próprios autores ressaltam que muitos estudos não informam denominador e que bancos de notificação voluntária subestimam os casos. Segundo eles, a ocorrência se relaciona a fatores do preparo e da técnica de aplicação, e a prevenção seria o ponto de partida do manejo.

Também há relatos mais antigos. Na revisão de Signori, um ensaio com pessoas com lipoatrofia por HIV registrou nódulos subcutâneos em 41% dos participantes, e, segundo Vleggaar e colegas, as taxas elevadas dos primeiros anos foram atribuídas à falta de orientação sobre preparo, pontos de aplicação e técnica, o que levou a mudanças posteriores. Já no ensaio de Wu e Goldman, com 20 pessoas e preparo conforme as orientações vigentes, nenhum nódulo foi detectado em seis meses. O grupo é pequeno e o desfecho é limitado ao que o estudo mediu.

Complicações vasculares e visuais, como a oclusão da artéria da retina com perda visual permanente, aparecem na literatura como casos raros, segundo a revisão de escopo.

Quando o PLLA pode não ser indicado

Podem existir condições de saúde, medicamentos em uso e situações pessoais em que o procedimento não é indicado ou pede cuidados especiais. Por isso, na consulta médica tudo é analisado com atenção e em detalhes antes de qualquer decisão.

Quando procurar um médico

A consulta médica serve para entender se esse tipo de bioestimulador faz sentido, se existem outras opções e quais riscos se aplicam a cada pessoa. Depois de qualquer aplicação, nódulos, dor, vermelhidão persistente, febre, alterações de cor da pele ou da visão justificam contato imediato com o médico responsável. Quem quer comparar categorias pode ler o artigo sobre o preenchimento com ácido hialurônico, que age de outra forma, ou o texto sobre bioestimulação nos glúteos.

Perguntas frequentes

O ácido poli-L-láctico é a mesma coisa que o ácido hialurônico?

Não. O ácido hialurônico é um preenchedor que ocupa espaço no momento da aplicação. O PLLA, segundo as revisões, age ao provocar uma resposta do organismo que leva à formação de colágeno ao longo de semanas.

O PLLA já era usado em outras áreas da medicina?

Sim. Segundo artigo de 2014 na J Drugs Dermatol, é usado há mais de 30 anos em fios de sutura absorvíveis e em dispositivos de fixação cirúrgica.

Quantas sessões os estudos usaram?

Variou. Um ensaio com 233 pessoas usou de uma a quatro visitas com intervalo de três semanas, outro, com 20 pessoas, uma sessão por mês durante três meses. São descrições de pesquisa, não orientação.

Quanto tempo os efeitos duram?

Os ensaios acompanharam participantes por até 25 meses e relataram efeitos mantidos nesse período. A revisão de 2024 considera a evidência de baixa qualidade, e a resposta varia entre as pessoas.

Nódulos podem aparecer tarde?

Sim. A revisão de escopo de 2026 descreve nódulos de início tardio, em média de 9 a 14 meses depois da aplicação, e alguns casos além de 24 meses. A frequência varia muito conforme o estudo.

Referências

  • Vleggaar D, Fitzgerald R, Lorenc ZP. The History Behind the Use of Injectable Poly-L-Lactic Acid for Facial and Nonfacial Volumization: The Positive Impact of Evolving Methodology. J Drugs Dermatol, 2014;13(4 Suppl):s32-s34. jddonline.com
  • Jagdeo J, Ho D, Lo A, Carruthers A. A systematic review of filler agents for aesthetic treatment of HIV facial lipoatrophy (FLA). J Am Acad Dermatol, 2015;73(6):1040-1054. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26481056
  • Signori R, Barbosa AP, Cezar-Dos-Santos F, et al. Efficacy and Safety of Poly-l-Lactic Acid in Facial Aesthetics: A Systematic Review. Polymers (Basel), 2024;16(18):2564. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11435306
  • Fitzgerald R, Bass LM, Goldberg DJ, Graivier MH, Lorenc ZP. Physiochemical Characteristics of Poly-L-Lactic Acid (PLLA). Aesthet Surg J, 2018;38(suppl_1):S13-S17 (resumo). pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29897517
  • Narins RS, Baumann L, Brandt FS, et al. A randomized study of the efficacy and safety of injectable poly-L-lactic acid versus human-based collagen implant in the treatment of nasolabial fold wrinkles. J Am Acad Dermatol, 2010;62(3):448-462. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20159311
  • Brown SA, Rohrich RJ, Baumann L, et al. Subject global evaluation and subject satisfaction using injectable poly-L-lactic acid versus human collagen for the correction of nasolabial fold wrinkles. Plast Reconstr Surg, 2011;127(4):1684-1692. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21460676
  • Wu DC, Goldman MP. The Efficacy of Massage in Reducing Nodule Formation After Poly-L-Lactic Acid Administration for Facial Volume Loss: A Randomized, Evaluator-Blinded Clinical Trial. Dermatol Surg, 2016;42(11):1266-1272. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27618389
  • Flores Rodríguez JC, Porras Zamora BM, Rico Macías NM, et al. The Management of Poly-L-Lactic Acid (PLLA) Nodules: A Scoping Review and Evidence-Mapped Clinical Pathway. Cureus, 2026;18(6):e110742. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC13356878

Importante: este artigo tem caráter informativo e educativo. Ele ajuda a entender o tema, mas não permite diagnosticar, tratar nem decidir sozinho sobre a sua saúde. Cada pessoa tem uma história diferente: para analisar o seu caso, converse com um médico.

Informações conferidas com as fontes citadas. Última revisão: outubro/2026.

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Dúvidas gerais são bem-vindas. Evite dados de saúde e fotos de exames: cada caso é visto em consulta médica.

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