(11) 97800-3144 Atendimentos em SP e PR contato@mirelefadel.com.br Médica | CRM-PR 37972 | CRM-SP 224385
Dra. Mirele FadelMédica - CRM-PR 37972 | CRM-SP 224385
Artigo · Toxina Botulínica · 10 min de leitura

Queixo em casca de laranja: o papel do músculo mentual

BellaAssistente de IA e jornalista do blog21 de setembro de 2020 · atualizado em 13 de outubro de 2026
Ilustração gerada por IA: tecido acetinado em tons de champanhe

O queixo com aspecto de casca de laranja, chamado também de queixo celulítico, queixo "bola de golfe" ou queixo em paralelepípedo, aparece quando a pele da região fica com pequenas covinhas e irregularidades, em geral mais evidentes ao falar, sorrir ou fazer biquinho. Na literatura médica, o principal suspeito é o músculo mentual, que puxa a pele do queixo a cada contração. A toxina botulínica é um dos recursos descritos para reduzir essa atividade, e a decisão sobre usá-la, ou não, cabe ao médico em consulta individual.

Resposta rápida: o queixo "celulítico" não tem relação com a celulite das coxas. O que se vê é a pele do mento sendo repuxada pelo músculo mentual, e a perda de gordura e de colágeno na região pode deixar o aspecto mais marcado. Consensos médicos descrevem a aplicação de toxina botulínica no músculo como uma das abordagens, com efeito temporário e riscos ligados à técnica. O que faz sentido em cada rosto só se define na consulta médica.

Para entender o procedimento como um todo, há uma página dedicada à toxina botulínica, com informações sobre como funciona o atendimento médico.

O que é o músculo mentual e por que ele mexe com a pele do queixo?

O mentual é um músculo pequeno, em forma de cúpula, que nasce na parte da frente da mandíbula e se prende à pele do queixo. Segundo estudo em cadáveres e com ultrassonografia publicado na revista Toxins em 2021, ele eleva os tecidos moles do mento e sustenta a posição e o movimento do lábio inferior. Um consenso italiano de 2026, publicado também na Toxins, o descreve como o único elevador do lábio inferior e do queixo.

Como o músculo termina na pele, cada contração arrasta a superfície junto. O mesmo consenso cita trabalho de ultrassonografia segundo o qual as fibras mais superficiais comprimem trechos da derme e formam pequenas depressões, o desenho típico do queixo em casca de laranja. Daí a ideia, comum na literatura, de que quanto mais o músculo trabalha, mais evidentes ficam as covinhas. A revisão narrativa de Hong, publicada na Toxins em 2023, resume o mesmo raciocínio ao descrever o mentual como um elevador do lábio inferior que altera a textura do queixo quando está hiperativo.

A contração do mentual explica tudo?

Não necessariamente. Outro consenso italiano, publicado na revista Dermatol Ther em 2026 e dedicado ao uso de doses altas de incobotulinumtoxina A no rosto inteiro, afirma que a hiperfunção prolongada do mentual pode contribuir para um vinco transversal profundo e para o achatamento do queixo, o que favorece a textura de casca de laranja, e que a perda de colágeno e de gordura subcutânea na região pode agravar o quadro. O estudo de Choi e colaboradores, de 2021, também aponta mais de um fator: atribui o aspecto de casca de laranja à perda de gordura subcutânea e de colágeno da derme no mento, ao mesmo tempo em que menciona as fibras do mentual que se inserem na pele da parte da frente do queixo.

Na prática, o queixo pode ter um componente de movimento, um componente de qualidade da pele e do volume, ou os dois. Separar um do outro é parte da análise feita na consulta médica.

Como a toxina botulínica entra nessa conversa?

A toxina botulínica tipo A bloqueia a liberação do neurotransmissor que comanda a contração, e o músculo trabalha com menos intensidade. Segundo revisão publicada no J Cosmet Dermatol em 2025, a duração do efeito varia com sexo, idade, área injetada, intensidade das linhas e tratamentos anteriores.

No queixo, o alvo é o mentual. O consenso internacional publicado na Aesthetic Surgery Journal em 2023 afirma que o queixo com covinhas é causado pela contração do mentual e que o painel prefere abordar quem apresenta covinhas ativas, isto é, que aparecem com o movimento. O consenso italiano sobre a face inferior, de 2026, registrou 100% de concordância entre os 14 especialistas ouvidos quanto à correção do aspecto de "bola de golfe" como indicação da toxina no queixo, e 92,8% quanto à hiperatividade do mentual. Já a projeção do queixo e a redução do vinco entre o lábio e o queixo não alcançaram consenso. A mesma publicação relata que 78,5% dos participantes combinam aplicações na pele e no músculo, enquanto 21,4% usam só a via intramuscular, o que mostra que a técnica não é única.

O painel de 2023 também faz uma ressalva importante sobre a posição do ponto de aplicação: aplicações laterais demais ou em quantidade maior podem alcançar o depressor do lábio inferior e causar assimetria. Ou seja, a mesma anatomia que explica o queixo em casca de laranja é a que exige cuidado na hora de tratá-lo, e é por isso que a decisão pede análise médica individual e técnica bem conduzida.

A bula brasileira de cada produto e a conduta do médico definem indicação, forma de uso e limites. Este texto não indica produto nem quantidade para ninguém.

Quanto tempo dura e o que esperar?

O efeito é temporário. A revisão do J Cosmet Dermatol, que analisou ensaios na região entre as sobrancelhas, aponta duração mediana de cerca de 120 dias, ou quatro meses, e ressalta que não existe definição única de "duração": o número muda conforme o critério adotado e conforme a pessoa. Esse dado vem de outra área da face, e o consenso de 2023 da Aesthetic Surgery Journal, que trata de um produto específico, não traz uma duração própria para o queixo. Esse documento cita como regra geral um intervalo mínimo de três meses entre aplicações, sem relação exclusiva com essa região. Ou seja, os números disponíveis são referências de outras áreas, e o tempo real varia de pessoa para pessoa.

Também não há promessa de pele "lisa" em qualquer situação. Se parte do aspecto vem da perda de colágeno e de volume, reduzir a contração não repõe o que se perdeu.

Quais são os riscos?

O risco central é o espalhamento da toxina para músculos vizinhos. De acordo com o estudo de Choi e colaboradores, aplicar no lugar errado pode atingir o depressor do lábio inferior, com dificuldade para falar, ou o orbicular da boca, com lábio incompetente. Os autores lembram ainda que a toxina é conhecida por se espalhar de 15 a 45 mm a partir do ponto de aplicação, conforme dose e volume, e citam o "abaulamento paradoxal" do queixo após a aplicação, atribuído a desequilíbrio da ação da toxina nas diferentes profundidades do músculo. O consenso italiano de 2026 também menciona esse abaulamento quando o músculo é relaxado apenas em parte.

Segundo o consenso italiano de 2026, assimetria e queda do lábio podem ocorrer quando a aplicação fica lateral demais ou a toxina se difunde para o depressor do lábio inferior, e o escape para o orbicular da boca pode atrapalhar comer, beber com canudo e escovar os dentes. A revisão narrativa publicada por Hong na Toxins em 2023 acrescenta que aplicar perto do lábio inferior favorece a passagem da toxina para o orbicular, e que é prudente manter ao menos 1 cm de distância do sulco mentual para evitar incompetência oral. Os autores do consenso italiano descrevem a incidência de complicações como relativamente baixa, mas destacam que ainda há poucos dados sobre a utilidade da ultrassonografia como guia para essas aplicações.

Esse conjunto de relatos ajuda a entender por que as publicações tratam a anatomia do queixo com tanta atenção: poucos milímetros de diferença no local podem mudar o movimento do lábio e a simetria do sorriso. Por isso a literatura trata o local da aplicação como o ponto central de segurança do procedimento.

Podem existir condições de saúde, medicamentos em uso e situações pessoais em que o procedimento não é indicado ou pede cuidados especiais. Por isso, na consulta médica tudo é analisado com atenção e em detalhes antes de qualquer decisão.

Que outras abordagens a literatura cita para o queixo?

Como a textura pode ter causa mista, os consensos falam em estratégia combinada. O painel internacional de 2023 afirma que a associação com preenchedores costuma ser apropriada, justamente pela perda de colágeno e de gordura subcutânea na área. Os preenchimentos com ácido hialurônico são um dos recursos usados em outros contornos do queixo, e o conjunto de decisões costuma entrar no planejamento de harmonização facial, que considera a proporção do rosto inteiro.

Um ensaio clínico randomizado publicado na Aesthetic Surgery Journal em 2024, com 50 pacientes com queixo retraído, comparou toxina mais ácido hialurônico com ácido hialurônico isolado, o que indica que as duas ferramentas já são estudadas em conjunto na região. Esse estudo trata de projeção do queixo, e não de textura de casca de laranja. Não se trata, portanto, de comparação entre abordagens para o queixo celulítico, e a escolha continua sendo individual.

Quando procurar um médico

A consulta médica é o momento de entender se o aspecto do queixo vem do movimento, da pele, do volume ou de uma combinação, e quais caminhos fazem sentido para cada pessoa. Após qualquer aplicação na região, vale contatar o médico que a realizou diante de dificuldade para falar ou engolir, boca ou lábio assimétricos, ou qualquer reação que preocupe. Informe sempre histórico de saúde, alergias e medicamentos em uso.

Perguntas frequentes

Queixo celulítico é celulite?

Não. O nome vem da semelhança visual com a celulite. No queixo, a literatura associa o aspecto à ação do músculo mentual sobre a pele e à perda de gordura e colágeno na região.

Todo queixo com covinhas vem do músculo?

Nem sempre. Segundo os consensos citados, o músculo é o principal fator descrito, mas a perda de colágeno e de gordura subcutânea também contribui. A análise individual separa o que pesa em cada caso.

O efeito da toxina botulínica é definitivo?

Não. É temporário. Dados de ensaios em outra região da face mostram mediana de cerca de quatro meses, com variação entre pessoas, e não há duração específica estabelecida para o queixo.

Todos os produtos à base de toxina botulínica são iguais?

Existem diferentes produtos registrados à base de toxina botulínica tipo A, cada um com bula própria, e a escolha cabe ao médico.

Aplicar no queixo pode mexer com o sorriso ou a fala?

É um risco descrito quando a toxina atinge músculos vizinhos, como o depressor do lábio inferior e o orbicular da boca. Por isso a literatura insiste em conhecimento da anatomia e em técnica cuidadosa.

Referências

  • Fundarò S, et al. Italian Consensus and Review in Lower Face Mimetic Muscle Treatment with Botulinum Toxin-A. Toxins (Basel), 2026;18(8):332. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC13517480
  • Fundarò SP, et al. Italian Expert Consensus on the Efficacy and Safety of High Doses of Incobotulinum Toxin A in a Full-Face Approach Based on the Electromyographic Analysis. Dermatol Ther (Heidelb), 2026;16(5):2251-2295. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC13387049
  • Choi DY, Bae H, Bae JH, Kim HJ, Hu KS. Effective Locations for Injecting Botulinum Toxin into the Mentalis Muscle; Cadaveric and Ultrasonographic Study. Toxins (Basel), 2021;13(2):96. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7911364
  • Ascher B, et al. International Consensus Recommendations on the Aesthetic Usage of Ready-to-Use AbobotulinumtoxinA. Aesthet Surg J, 2024;44(2):192-202. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10790960
  • Hong SO. Cosmetic Treatment Using Botulinum Toxin in the Oral and Maxillofacial Area: A Narrative Review of Esthetic Techniques. Toxins (Basel), 2023;15(2):82. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9964918
  • Philipp-Dormston WG, et al. Why Dosing Matters: A Closer Look at the Dose-Response Relationship With OnabotulinumtoxinA. J Cosmet Dermatol, 2025;24(4):e70170. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12032540
  • Treatment of Chin Retrusion With Botulinum Toxin Plus Hyaluronic Acid Filler in Comparison With Hyaluronic Acid Filler Alone: A Randomized, Evaluator-Blinded, Controlled Study. Aesthet Surg J, 2024;44(5):537-544. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38036752

Importante: este artigo tem caráter informativo e educativo. Ele ajuda a entender o tema, mas não permite diagnosticar, tratar nem decidir sozinho sobre a sua saúde. Cada pessoa tem uma história diferente: para analisar o seu caso, converse com um médico.

Informações conferidas com as fontes citadas. Última revisão: outubro/2026.

Compartilhar:WhatsAppFacebook

Comentários

Dúvidas gerais são bem-vindas. Evite dados de saúde e fotos de exames: cada caso é visto em consulta médica.

Os comentários passam por revisão antes de aparecer.

Leia também

Sua privacidade, suas escolhas

O site da Dra. Mirele Fadel usa cookies necessários para funcionar e, se você permitir, cookies de estatística e de anúncios do Google. Você pode mudar isso quando quiser. Política de Privacidade