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Artigo · Toxina Botulínica · 10 min de leitura

Masseter e bruxismo: o que dizem os estudos sobre a toxina

BellaAssistente de IA e jornalista do blog21 de setembro de 2020 · atualizado em 13 de outubro de 2026
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O masseter é um dos principais músculos da mastigação, e quando ele trabalha em excesso, seja por bruxismo ou por outros hábitos, pode ficar mais volumoso e doer. A toxina botulínica tipo A é estudada tanto para reduzir a atividade desse músculo quanto para mudar o contorno da parte baixa do rosto, segundo propostas descritas nas revisões. Se o uso não consta na bula do produto escolhido, ele é fora da bula, e o médico deve dizer isso. Os estudos são heterogêneos, em geral pequenos e de curta duração, e não permitem prometer resultado a ninguém. A decisão cabe ao médico, depois de uma consulta individual.

Resposta rápida: o masseter fecha a mandíbula e faz força na mastigação. Hábitos como ranger ou apertar os dentes (bruxismo) fazem parte dos fatores que podem ampliar sua massa. O cuidado do bruxismo costuma envolver o dentista, com placa oclusal e orientação de hábitos, e o médico quando a toxina entra em discussão. Revisões sistemáticas relatam redução da atividade elétrica do músculo após a toxina, mas nem sempre redução do número de episódios de bruxismo. Há riscos, como fraqueza na mastigação, e o efeito é temporário. Na consulta médica, tudo é analisado em detalhe.

A página sobre toxina botulínica explica como funciona o atendimento médico para esse procedimento.

O que é o masseter e para que ele serve

O masseter fica na lateral do rosto, entre o osso da bochecha e o ângulo da mandíbula, e é um dos músculos que levantam a mandíbula na mordida. É um músculo forte e, como acontece com outros músculos, pode aumentar de volume quando é muito exigido. A revisão sistemática de Anjali Ghatge e colegas, publicada em 2023 na revista Bioinformation, lembra que a largura da parte baixa do rosto depende de três coisas: o tamanho do osso da mandíbula, que tem forte componente genético, a massa do masseter e a quantidade de gordura sob a pele. Segundo as autoras, a massa do músculo também sofre influência de hábitos pessoais, como mascar, bruxismo, tipo de alimentação, força da mordida e alterações da articulação temporomandibular.

Por isso, uma face mais larga na mandíbula nem sempre vem do músculo: essa distinção é feita na consulta médica.

Bruxismo: o que é, segundo o consenso internacional

Em 2018, um grupo internacional de pesquisadores liderado por Frank Lobbezoo publicou no Journal of Oral Rehabilitation um consenso sobre a definição e a medição do bruxismo. O documento descreve o bruxismo como atividade repetitiva dos músculos mastigatórios, caracterizada por apertar ou ranger os dentes e por empurrar ou travar a mandíbula. Ele pode ocorrer durante o sono, com padrão rítmico ou não rítmico, ou durante a vigília, quando há contato dentário repetido ou sustentado. Os autores concluíram que, em pessoas saudáveis, o bruxismo deve ser visto como um comportamento que pode ser fator de risco (ou de proteção) para certas consequências clínicas, e não necessariamente como uma doença.

Causas e cuidado: um assunto multiprofissional

O bruxismo é descrito como multifatorial. Revisão de 2024 na BMC Oral Health (Ronsivalle e colegas) o chama de condição multifatorial. Já a revisão de escopo de 2023 sobre desgaste dentário (Oudkerk e colegas), que trata o bruxismo como um dos fatores de risco do desgaste, afirma que o manejo do desgaste exige abordagem multidisciplinar e que o dentista está na primeira linha de detecção.

A revisão de Hajime Minakuchi e colegas (2022) comparou formas de manejo do bruxismo do sono em adultos. Os autores relataram que a placa oclusal tendeu a reduzir o número de eventos (evidência de certeza baixa a muito baixa), que os benefícios da terapia cognitivo-comportamental não eram bem sustentados e que biofeedback, alguns medicamentos e a toxina botulínica tipo A mostraram redução de parâmetros específicos, com efeitos colaterais relatados, em geral a partir de estudos pequenos e de evidência fraca.

Na prática, isso significa uma conversa com mais de um profissional. O dentista examina dentes, mordida e articulação e pode indicar placa. O médico participa quando há dúvida sobre outras causas, uso de medicamentos, qualidade do sono ou quando a toxina é uma das opções discutidas.

O que a literatura descreve sobre a toxina no bruxismo

As revisões tratam a toxina botulínica tipo A no bruxismo como proposta terapêutica. Os dados abaixo vêm de pesquisas, e não valem como promessa de resultado para quem lê.

A meta-análise de Matteo Val e colegas (J Clin Med, 2026) reuniu oito estudos, cinco deles ensaios randomizados com placebo. Segundo o resumo, a toxina nos músculos mastigatórios reduziu de forma consistente a atividade elétrica medida por eletromiografia em pessoas com bruxismo do sono, mas isso não acompanhou de modo consistente a frequência do bruxismo medida por questionários ou polissonografia: dos seis estudos que a mediram assim, só um mostrou benefício claro. A certeza da evidência foi classificada como baixa para a atividade elétrica e muito baixa para o bruxismo clínico. Eventos adversos foram leves e transitórios, em amostras pequenas e com seguimento curto.

Outras duas revisões vão na mesma direção. A de Sinda Yacoub e colegas (2025) incluiu 12 ensaios: seis relataram redução da atividade muscular e três, da dor, e as autoras apontam heterogeneidade entre os estudos. A de Roxana Buzatu e colegas (2024), com nove ensaios, chama os achados de preliminares e cita mudança no sorriso em 2 de 13 pacientes (15,4%) de um dos estudos.

A literatura sugere efeito sobre a atividade do músculo, mas não sustenta com solidez a redução do bruxismo em si. Por isso a toxina costuma ser descrita como possibilidade adjuvante, discutida caso a caso, e não como substituta das medidas do dentista.

O que se sabe sobre a toxina no masseter volumoso

A revisão de Ghatge e colegas analisou 20 publicações, quase todas prospectivas, com seguimento de 3 a 48 meses. Não foi possível fazer meta-análise por causa da heterogeneidade e da falta de grupos de comparação homogêneos. As autoras relatam que os trabalhos descrevem redução da espessura do masseter e da largura da parte baixa do rosto. Entre os dados citados, um estudo coreano com 1.021 pacientes mediu, por ultrassonografia, redução média de 31% na espessura do músculo em parte do grupo acompanhada por três meses, e duas séries pequenas, medidas por tomografia, relataram reduções de 22% e 30%. A revisão cita esses números, e eles vêm de estudos sem grupo de comparação, em populações asiáticas, o que limita a extrapolação.

Quanto dura e por que o efeito é temporário

A ação da toxina é reversível. Segundo Ghatge e colegas, o músculo paralisado perde massa com o desuso, e como a paralisia passa, a redução da massa não se mantém sem repetição. A revisão afirma que o tratamento exige repetições periódicas para manter o que foi obtido, e que a dose e a frequência ideais ainda estão em investigação. Sobre duração em geral, há o artigo sobre a durabilidade da toxina botulínica.

Riscos descritos: mastigação, sorriso e osso

Segundo a revisão de 2023, a diminuição da força de mastigação é o efeito indesejado mais comum: começa de 2 a 4 semanas depois da aplicação, tem pico em torno da terceira semana e dura de 8 a 12 semanas, com incidência citada de cerca de 30%. A revisão cita ainda hematoma doloroso no masseter em cerca de 2,5% e outros eventos abaixo de 1%. Se a toxina atinge o músculo risório, pode haver assimetria da expressão, e se o músculo fica irregular, surgem abaulamentos.

Há ainda uma preocupação com o osso. Segundo Ghatge e colegas, efeitos de perda de densidade óssea após a toxina nos músculos mastigatórios aparecem sobretudo em estudos com animais, e um estudo-piloto em humanos levanta dúvidas que precisam ser confirmadas em pesquisas maiores. As autoras opinam que não há efeitos permanentes, opinião de uma revisão que inclui dados não publicados dos próprios autores.

Quando a toxina no masseter pode não ser indicada

Podem existir condições de saúde, medicamentos em uso e situações pessoais em que o procedimento não é indicado ou pede cuidados especiais. Por isso, na consulta médica tudo é analisado com atenção e em detalhes antes de qualquer decisão.

É razoável perguntar também se o uso consta na bula e, se não constar, perguntar ao médico por que ele considera a técnica adequada para o seu caso, quais efeitos são esperados e quais riscos a literatura descreve. Vale perguntar ainda pela placa oclusal, que o dentista pode indicar.

Quando procurar um médico

A consulta médica é o momento de entender se o aumento do masseter é muscular, se há sinais de bruxismo que pedem o dentista e quais são os riscos no caso de cada pessoa. A Dra. Mirele Fadel analisa a queixa, o histórico de saúde, os medicamentos e as expectativas antes de qualquer conversa sobre procedimento. Depois de uma aplicação, dificuldade importante para mastigar ou falar, assimetria que incomoda, dor que não passa ou qualquer reação que preocupe justificam contato rápido com o médico responsável.

Quem quer entender o conjunto do rosto pode ler os artigos sobre o terço inferior da face e sobre a toxina botulínica e os três terços da face.

Perguntas frequentes

Masseter grande é sempre bruxismo?

Não. Segundo a revisão de 2023, a largura da parte baixa do rosto depende também do osso e da gordura, e a massa do músculo sofre influência de hábitos como mascar e de alterações da articulação.

Bruxismo é uma doença?

O consenso de 2018 o descreve, em pessoas saudáveis, como um comportamento que pode ser fator de risco ou de proteção para certas consequências. O relatório de 2025 retirou a expressão "em indivíduos saudáveis" das definições.

Esses usos constam na bula?

Isso depende da bula do produto usado, informação que o médico deve prestar. Se o uso for fora da bula, é preciso conversar com franqueza sobre benefícios, riscos e incertezas.

A toxina substitui a placa do dentista?

Os estudos a descrevem como opção adjuvante, e a revisão de 2026 a menciona como candidata sobretudo para quem não responde a medidas conservadoras. As duas abordagens podem ser discutidas juntas pelos profissionais.

O efeito é definitivo?

Não. A ação é reversível, e a revisão de 2023 aponta que a manutenção de qualquer redução de massa depende de repetições periódicas.

Referências

  • Ghatge AS, Ghatge SB, Mehta V. A review on bigonial width reduction by botulinum toxin injections in masseter. Bioinformation, 2023;19(3):272-277. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10557449
  • Val M, Colonna A, Nykänen L, Pollis M. Effects of Botulinum Toxin Injection on Masticatory Muscle Activity in Sleep Bruxism: A Systematic Review and Meta-Analysis. J Clin Med, 2026;15(18). pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC13607196
  • Yacoub S, Ons G, Khemiss M. Efficacy of botulinum toxin type A in bruxism management: A systematic review. Dent Med Probl, 2025;62(1):145-160. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40035138
  • Buzatu R, Luca MM, Castiglione L, Sinescu C. Efficacy and Safety of Botulinum Toxin in the Management of Temporomandibular Symptoms Associated with Sleep Bruxism: A Systematic Review. Dent J (Basel), 2024;12(6). pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11203296
  • Minakuchi H, Fujisawa M, Abe Y, et al. Managements of sleep bruxism in adult: A systematic review. Jpn Dent Sci Rev, 2022;58:124-136. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8958360
  • Lobbezoo F, Ahlberg J, Raphael KG, et al. International consensus on the assessment of bruxism: Report of a work in progress. J Oral Rehabil, 2018;45(11):837-844. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6287494
  • Verhoeff MC, Lobbezoo F, Ahlberg J, et al. Updating the Bruxism Definitions: Report of an International Consensus Meeting. J Oral Rehabil, 2025;52(9):1335-1342. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12408978
  • Ronsivalle V, Marrapodi MM, Siurkel Y, et al. Prevalence of Bruxism in alcohol abusers: a systematic review. BMC Oral Health, 2024;24(1):108. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10795287
  • Oudkerk J, Grenade C, Davarpanah A, et al. Risk factors of tooth wear in permanent dentition: A scoping review. J Oral Rehabil, 2023;50(10):1110-1165. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37147932

Importante: este artigo tem caráter informativo e educativo. Ele ajuda a entender o tema, mas não permite diagnosticar, tratar nem decidir sozinho sobre a sua saúde. Cada pessoa tem uma história diferente: para analisar o seu caso, converse com um médico.

Informações conferidas com as fontes citadas. Última revisão: outubro/2026.

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