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Artigo · Beleza · 10 min de leitura

Gordura localizada no abdome: o que dizem os estudos

BellaAssistente de IA e jornalista do blog9 de maio de 2023 · atualizado em 13 de outubro de 2026
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Gordura localizada no abdome é o acúmulo de tecido adiposo concentrado na barriga e ao redor do umbigo, queixa de adultos sem obesidade, o público dos estudos de procedimentos. A literatura médica descreve dois caminhos principais para reduzi-lo: exercício e hábitos de vida, cuja capacidade de agir só em uma região do corpo ainda é discutida, e procedimentos sem corte, como o ultrassom focado de alta intensidade. Nos três estudos com esse ultrassom citados adiante, a medida da cintura mudou entre 2,06 e 3,43 cm, conforme o desenho; os números vêm de pesquisas com vínculo com fabricantes e não valem como promessa.

Resposta rápida: a gordura da região abdominal pode ser subcutânea (logo abaixo da pele) ou visceral (em volta dos órgãos). Os procedimentos descritos na literatura para a "gordura localizada" se dirigem à camada subcutânea. Revisão sistemática de 2022 reuniu 11 estudos, nove deles no abdome. Ainda faltam dados de longo prazo, e a aplicação de cada equipamento depende do que consta no seu registro. Na consulta médica, a Dra. Mirele analisa cada caso com calma.

Quando o incômodo é a flacidez, e não o volume, o assunto é outro. A página sobre flacidez corporal reúne as informações sobre esse tema. Este artigo trata do acúmulo de gordura.

O que é a gordura localizada no abdome

O abdome guarda gordura em duas camadas. A subcutânea fica entre a pele e a musculatura e é a que se pode pinçar com os dedos. A visceral fica mais profunda, envolvendo órgãos como o fígado e o intestino. A diferença importa porque, segundo revisão publicada na Nutrition in Clinical Practice por Molly DePrenger e colegas, o índice de massa corporal (IMC) não diferencia gordura visceral de subcutânea, nem mostra onde o corpo guarda a gordura. Por isso, medidas como a circunferência da cintura e a relação cintura-quadril entram na análise do risco para a saúde.

Em revisão narrativa de 2025 na Nutrients, Grzegorz Jakubiak e colegas lembram que a relação entre gordura e doenças metabólicas não é simples: há pessoas com obesidade e exames metabólicos normais, e síndrome metabólica em quem tem peso normal.

O que a pesquisa associa ao acúmulo em uma região

Segundo os autores de um estudo italiano publicado em 2021 no International Journal of Environmental Research and Public Health, o acúmulo de tecido adiposo em áreas específicas do corpo está ligado a muitas variáveis fisiológicas e hormonais.

Exercício e hábitos: o que se sabe sobre reduzir gordura só na barriga

A ideia de que um exercício abdominal queima a gordura da própria barriga é discutida há décadas, e os ensaios recentes não chegam à mesma conclusão. Em estudo publicado em 2023 na Physiological Reports, Mathias Brobakken e colegas sortearam 16 homens com sobrepeso para dez semanas de treino que combinava corrida e exercícios abdominais, ou para corrida sozinha. A gordura do tronco, medida por densitometria (DEXA), caiu 7% no primeiro grupo e não mudou no segundo, enquanto a gordura total diminuiu de modo parecido nos dois. Os autores concluíram que a redução localizada existe. A amostra é pequena, só tem homens e a alimentação não foi controlada.

Um ensaio italiano de 2021, com 14 voluntários adultos, relatou redução da gordura subcutânea abdominal após oito semanas de treino em circuito. Já um ensaio publicado em 2025 na Cellular and Molecular Biology, com 60 mulheres com obesidade, mostrou outro retrato: o treino aeróbico geral produziu perda de gordura mais ampla que o treino regional, e a combinação dos dois deu os maiores ganhos nos marcadores medidos. Os autores dizem que a redução localizada segue controversa.

Os estudos são pequenos e não autorizam dizer que um exercício específico elimina a gordura da barriga. A orientação individual cabe ao médico.

O que é o ultrassom focado de alta intensidade

O ultrassom focado de alta intensidade (HIFU, na sigla em inglês) concentra energia sonora em um ponto abaixo da pele, sem cortes. Segundo a revisão sistemática publicada em 2022 na Plastic and Reconstructive Surgery por Vaibhav Kumar e colegas, o objetivo é danificar seletivamente as células de gordura, por morte celular programada ou por necrose, como alternativa menos invasiva à lipoaspiração, procedimento cirúrgico que tem risco de complicações. A revisão incluiu 11 estudos, nove deles no abdome. A energia total variou de 140 a 248 J/cm² e a profundidade do foco, de 1,1 a 1,8 cm.

Com essa profundidade, o foco fica na camada subcutânea. Os estudos medem a espessura dessa camada ou a cintura, e não a gordura visceral. Os parâmetros variam entre equipamentos, e o observado em um não se transfere para outro. Quando a aplicação em determinada região do corpo não consta da indicação registrada do equipamento, ela é considerada uso fora da bula (off-label), e esse ponto precisa ser dito com clareza na consulta.

O que os estudos relataram sobre a cintura

Os dados abaixo vêm de pesquisas e não valem como promessa de resultado.

O ensaio com grupo simulado (sham) de Mark Jewell e colegas, publicado em 2011 na Plastic and Reconstructive Surgery, incluiu adultos de 18 a 65 anos com pelo menos 2,5 cm de gordura subcutânea no abdome. Eles receberam uma sessão com 141 J/cm², com 177 J/cm² ou sem energia (grupo simulado). Na 12ª semana, a cintura do grupo de 177 J/cm² foi 2,44 cm menor que a do grupo simulado, com significância estatística. No grupo de 141 J/cm², a diferença (2,06 cm) não foi significativa na análise principal. Entre as afiliações dos autores consta a fabricante do equipamento.

Em dois estudos multicêntricos reunidos por Deanne Robinson e colegas em 2014, na revista Dermatol Surg, cinco protocolos diferentes, com uma única sessão, resultaram em redução média de 2,3 cm (desvio-padrão de 2,9 cm) na cintura em 12 semanas, sem diferença entre os protocolos. O resumo do artigo não menciona grupo sem tratamento, e uma das afiliações dos autores é a de uma empresa fabricante.

Em estudo coreano de 2020, também na Dermatol Surg, Ji Yeon Hong e colegas trataram adultos com IMC de até 30 e gordura subcutânea abdominal de pelo menos 2,5 cm, em duas sessões. A cintura diminuiu em média 3,43 cm na oitava semana. O resumo não descreve grupo de comparação, e entre os autores há uma pessoa vinculada à empresa fabricante do equipamento.

Riscos, desconforto e limites da evidência

No ensaio de Jewell, os eventos adversos foram desconforto de leve a moderado, hematomas e edema (inchaço), e os exames de laboratório e o exame físico não mostraram alterações. No estudo de Hong, a dor imediatamente após a sessão teve média de 4,45 em uma escala de 1 a 10, caindo para 1,10 depois de uma semana.

A análise bibliométrica publicada em 2026 na Aesthetic Surgery Journal Open Forum, de Narendra Kumar, Guilherme de Almeida, Chien Ming Chen e Jean Carruthers, localizou 27 estudos sobre HIFU no rosto e no corpo entre 2007 e 2025. Segundo os autores, a eficácia e a segurança de curto prazo aparecem de forma favorável, mas faltam dados de longo prazo, parâmetros padronizados e medidas relatadas pelas próprias pessoas. Observam ainda que a maioria dos estudos vem de poucos centros de países de renda alta e que o acompanhamento costuma parar entre seis e doze meses. O primeiro autor é consultor de uma fabricante, que financiou a publicação em acesso aberto.

A decisão de usar ou não o procedimento, e com qual equipamento, é do médico depois da consulta.

Gordura, flacidez e outras causas do contorno abdominal

Nem todo incômodo na barriga é gordura localizada. Segundo a introdução da análise de 2026, o envelhecimento da pele envolve rugas, flacidez e acúmulo de gordura subcutânea, e esse acúmulo altera a textura e o contorno do corpo. Quem percebe a pele mais solta, e não o volume, precisa de outra análise.

Há ainda o artigo sobre as queixas corporais mais comuns, o de bioestimuladores de colágeno e o sobre um protocolo de ultrassom focado para o rosto.

Quando esse tipo de procedimento pode não ser indicado

Podem existir condições de saúde, medicamentos em uso e situações pessoais em que o procedimento não é indicado ou pede cuidados especiais. Por isso, na consulta médica tudo é analisado com atenção e em detalhes antes de qualquer decisão.

É razoável perguntar ao médico por que o procedimento seria adequado ao seu caso, qual equipamento seria usado, se a aplicação consta na indicação registrada e quais são os riscos descritos na literatura.

Quando procurar um médico

A consulta médica é o momento de entender o que está por trás do incômodo, de ver se existe outra explicação além da gordura localizada e de conversar sobre as opções com seus limites. Mudança rápida na cintura, dor abdominal persistente ou inchaço que não passa merecem contato médico sem espera, porque nem toda alteração na barriga vem de gordura. Depois de qualquer procedimento, dor que aumenta, área endurecida ou quente ou qualquer reação que preocupe pedem contato rápido com o médico que o fez.

Perguntas frequentes

Fazer abdominal elimina a gordura da barriga?

Os estudos não são unânimes. Um ensaio com 16 homens relatou redução maior da gordura do tronco com treino abdominal, e um de 2025, com 60 mulheres com obesidade, mostrou perda de gordura mais ampla com o treino geral do que com o regional.

A gordura da barriga é sempre a mesma?

Não. Há a subcutânea, sob a pele, e a visceral, em torno dos órgãos, e o IMC não as diferencia. Os procedimentos estudados se dirigem à subcutânea.

O ultrassom focado está na bula?

Equipamentos têm indicações registradas, e elas variam de um para outro. Quando a aplicação no abdome não consta da indicação do equipamento, ela é uso fora da bula, o que exige conversa franca com o médico sobre benefícios, riscos e incertezas.

Quanto a cintura diminuiu nos estudos?

Entre 2,06 cm e 3,43 cm, conforme o estudo, a energia usada, o momento da medida e a comparação feita (contra grupo simulado ou contra a medida inicial). Os participantes eram adultos selecionados, e os números não servem de previsão para quem lê.

Referências

  • Kumar V, Jain A, Vadera S, Shome D, Kapoor R. Effectiveness of HIFU Therapy for Nonsurgical Facial and Body Contouring: A Systematic Review of Prospective and Experimental Studies. Plast Reconstr Surg, 2022;151(3):533-544. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36730550
  • Kumar N, de Almeida GOO, Chen CM, Carruthers JDA. High-Intensity Focused Ultrasound for Facial Rejuvenation and Body Contouring: A Bibliometric Analysis of Efficacy and Safety Studies. Aesthet Surg J Open Forum, 2026;8:ojag008. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12926611
  • Jewell ML, Baxter RA, Cox SE, et al. Randomized sham-controlled trial to evaluate the safety and effectiveness of a high-intensity focused ultrasound device for noninvasive body sculpting. Plast Reconstr Surg, 2011;128(1):253-262. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21701341
  • Robinson DM, Kaminer MS, Baumann L, et al. High-intensity focused ultrasound for the reduction of subcutaneous adipose tissue using multiple treatment techniques. Dermatol Surg, 2014;40(6):641-651. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24852468
  • Hong JY, Ko EJ, Choi SY, et al. Efficacy and Safety of High-Intensity Focused Ultrasound for Noninvasive Abdominal Subcutaneous Fat Reduction. Dermatol Surg, 2020;46(2):213-219. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31490305
  • DePrenger M, Morales-Perez M, Lynch A. Practical tools for evaluating body fat distribution: applications in clinical and home-based weight management. Nutr Clin Pract, 2026;41(1):43-53. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41207866
  • Jakubiak GK, Badicu G, Surma S, et al. The Visceral Adiposity Index and Its Usefulness in the Prediction of Cardiometabolic Disorders. Nutrients, 2025;17(14):2374. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12298961
  • Brobakken MF, Krogsaeter I, Helgerud J, Wang E, Hoff J. Abdominal aerobic endurance exercise reveals spot reduction exists: A randomized controlled trial. Physiol Rep, 2023;11(22):e15853. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10680576
  • Paoli A, Casolo A, Saoncella M, et al. Effect of an Endurance and Strength Mixed Circuit Training on Regional Fat Thickness: The Quest for the "Spot Reduction". Int J Environ Res Public Health, 2021;18(7):3845. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8038840
  • Zourmand G, Shaabani Ezdini E, Taheri M, Irandoust K. Impact of regional and general aerobic exercise on molecular regulators of lipolysis and adipose tissue composition in obese women. Cell Mol Biol, 2025;71(10):111-116. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41236293

Importante: este artigo tem caráter informativo e educativo. Ele ajuda a entender o tema, mas não permite diagnosticar, tratar nem decidir sozinho sobre a sua saúde. Cada pessoa tem uma história diferente: para analisar o seu caso, converse com um médico.

Informações conferidas com as fontes citadas. Última revisão: outubro/2026.

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