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Artigo · Preenchimento Labial · 10 min de leitura

Preenchimento labial com ácido hialurônico: o que dizem os estudos

BellaAssistente de IA e jornalista do blog18 de julho de 2024 · atualizado em 13 de outubro de 2026
Ilustração gerada por IA: duas fitas curvas em dourado champanhe sobre linho creme, ao lado de um pequeno prato azul-tinta

O preenchimento labial com ácido hialurônico é um procedimento médico em que um gel dessa substância é injetado nos lábios ou ao redor deles. Uma meta-análise publicada em 2021 reuniu estudos com mais de 1.200 participantes e mostrou que a maioria apresentou aumento da plenitude labial nos primeiros meses, com perda progressiva ao longo de um ano. Os mesmos dados indicam que sensibilidade, inchaço, dor local e hematomas são frequentes e que reações como o angioedema e a necrose aparecem em poucos casos. A qualidade da evidência, porém, foi classificada pelos próprios autores como muito baixa.

Resposta rápida: os lábios têm uma parte de pele, uma parte vermelha (o vermelhão) e um músculo em volta, o orbicular da boca, irrigados por artérias labiais. Os estudos descrevem proporções entre o lábio superior, o inferior e o restante do rosto, mas elas variam entre pessoas e culturas e não funcionam como medida a ser copiada. Nos estudos, o efeito do ácido hialurônico diminui com o tempo. Os eventos adversos mais comuns são passageiros; o bloqueio de um vaso sanguíneo é raro e exige atendimento imediato. A decisão cabe ao médico, depois de uma consulta individual.

A página sobre preenchimento labial explica como funciona o atendimento médico. Este artigo reúne o que a literatura científica diz sobre anatomia, proporção, duração e riscos. Para entender a substância em si, em todas as regiões do rosto, há outro texto: o preenchimento com ácido hialurônico.

Como são os lábios por dentro

Segundo revisão publicada em 2026 na Facial Plastic Surgery, por Allison Altman e colegas, os lábios são formados pela pele do lábio, pelo vermelhão superior e inferior e pelo músculo orbicular da boca, que circunda toda a região. O suprimento de sangue vem das artérias labiais superior e inferior. É nessa anatomia que se apoia a discussão sobre riscos vasculares, mais adiante.

A mesma revisão afirma que os lábios têm papel central na percepção de juventude, beleza e harmonia do rosto, e que a seleção da pessoa e o conhecimento da anatomia e das proporções estéticas são pontos-chave. Os autores citam três caminhos descritos para a região: neuromoduladores, preenchedores de ácido hialurônico e técnicas cirúrgicas.

O que se descreve sobre proporção dos lábios

Não existe um lábio ideal medido em milímetros. O que há são tentativas de descrever o que as pessoas costumam achar equilibrado, e todas têm limites.

Uma revisão de 2019 no Aesthetic Surgery Journal, de Giuseppe Sito, Luana Consolini e Patrick Trévidic, propôs descrever os lábios de mulheres de origem europeia por quatro parâmetros: a altura do filtro (o sulco acima do lábio superior), a altura do vermelhão superior, a relação entre as duas e a relação entre as alturas do vermelhão superior e inferior. Os autores falam em uma proporção áurea entre as duas metades do vermelhão. É uma proposta dos autores, e não um padrão a ser atingido. Uma das autoras tem vínculo com uma fabricante, e o trabalho se limita a um grupo étnico específico.

Em 2025, um estudo chinês publicado na Oral and Maxillofacial Surgery pediu a 1.469 pessoas (dentistas, outros profissionais de saúde e leigos) que avaliassem imagens alteradas digitalmente de um único sorriso feminino, com três relações testadas (1 para 1, 1 para 1,5 e 1 para 2). A relação de espessura de 1 para 1,5 entre lábio superior e inferior foi apontada como a mais atraente por todos os grupos. É uma pesquisa de preferência, feita com imagens manipuladas e em uma população específica; ela mostra um gosto médio, não um alvo para o seu rosto.

O que se percebe como equilibrado também muda com o contexto. Em estudo de 2024 no Journal of Plastic, Reconstructive and Aesthetic Surgery, 727 voluntários (média de 29,5 anos) avaliaram 40 fotografias de rostos editadas em quatro proporções labiais. Quando as imagens eram vistas em série, as notas tendiam ao meio-termo; quando eram vistas isoladamente, a preferência recaía sobre aparências mais marcantes. Os autores concluem que o contexto da comparação interfere no julgamento de beleza.

Há ainda a questão das diferenças entre grupos. Um consenso publicado em 2025 na Dermatol Surg, sobre lábios, queixo e linha da mandíbula, relata que o envelhecimento da parte inferior do rosto segue padrões distintos entre etnias: nas pessoas de origem europeia predominam a perda de volume e as linhas ao redor da boca, enquanto em grupos do leste e do sul da Ásia são mais comuns o queixo recuado e o peso na linha da mandíbula. Um dos autores é vinculado a uma fabricante. Os autores tratam lábios, queixo e mandíbula como partes de uma mesma região do rosto. Veja também o artigo sobre o terço inferior da face.

Quanto tempo o efeito dura nos estudos

A meta-análise de Czumbel e colegas, publicada em 2021 na Frontiers in Surgery, combinou 32 registros para analisar eventos adversos e 10 para medir o efeito, com 1.228 participantes na parte de eficácia (idade média entre 41 e 54 anos). O critério de resposta foi subir ao menos um ponto em escala validada de plenitude labial. Os autores calcularam que 91% dos participantes responderam aos 2 meses, 74% aos 6 meses e 46% aos 12 meses depois da aplicação.

Esses números não são uma previsão para ninguém, nem uma meta a atingir. A heterogeneidade entre os estudos foi alta, os produtos, volumes e técnicas eram diferentes, e o acompanhamento mais longo foi de cerca de um ano. Entre os participantes sem tratamento, 21% também tiveram pontuação maior aos 2 meses, o que os autores associam a um possível efeito placebo e à subjetividade das escalas. A queda ao longo do tempo é atribuída pelos autores à degradação natural do ácido hialurônico.

Eventos adversos descritos na literatura

Na mesma meta-análise, a análise de segurança reuniu mais de 1.400 participantes. Os eventos mais frequentes foram sensibilidade no local (cerca de 89%), inchaço (cerca de 74%), hematoma (o artigo traz 39,5% no resumo e 48,7% no corpo do texto), nódulo ou massa palpável no ponto de aplicação (cerca de 27%) e dor (cerca de 20%). Segundo os autores, eles desapareceram sem necessidade de tratamento em algumas semanas e foram, em sua maioria, leves ou moderados.

Foram menos comuns a reação de corpo estranho com formação de granuloma (0,6%), o herpes labial (0,6%) e o angioedema, um inchaço profundo que pode ser grave (0,3%, quatro casos em 1.488 pessoas). A necrose do lábio, ou seja, a morte do tecido, apareceu apenas em três relatos de caso e foi classificada pelos autores como muito rara. A meta-análise avisa que o acompanhamento curto pode não ter captado reações tardias.

O evento vascular: raro, mas urgente

O ponto mais sério do procedimento é a obstrução de um vaso sanguíneo pelo gel, que pode comprometer a circulação da pele e, nos casos mais graves, a visão. Nenhuma das fontes citadas aqui traz uma taxa de ocorrência para o lábio, e as revisões de casos publicados não permitem estimar a frequência, porque reúnem apenas ocorrências relatadas. A meta-análise de lábios descreve a necrose labial como muito rara.

Revisão de 2025 na Dermatol Surg, de Bridget Myers e Joel Cohen, reuniu 26 artigos e descreve os sinais de alerta da isquemia: dor, empalidecimento da pele, aspecto de rede arroxeada (livedoide), cor acinzentada, pústulas, demarcação da pele e, mais tarde, feridas e crostas. Revisão sistemática de 243 casos fotografados, publicada em 2022 na Plastic and Reconstructive Surgery, mostrou que a artéria facial foi o território mais atingido (58% dos casos) e que, quando a pele do território da artéria oftálmica estava envolvida, houve perda de visão em 39% dos casos, contra 0,8% nos demais. Por vir de casos publicados, o retrato tende a destacar os piores desfechos.

Na prática, quem notar dor intensa ou desproporcional, área esbranquiçada ou arroxeada, mudança na cor da pele ou qualquer alteração na visão depois de uma aplicação deve contatar de imediato o médico que fez o procedimento ou procurar um serviço de urgência.

O que a consulta médica analisa

Na consulta médica, a conversa passa pelo que a pessoa deseja, pelo exame dos lábios em repouso e em movimento, pela relação deles com o nariz, o queixo e o restante do rosto e pelo que a literatura descreve, incluindo os riscos. A conversa inclui o que não é possível prometer: nenhum estudo permite dizer qual será o resultado em um rosto específico, e a evidência sobre os lábios é, nas palavras dos autores da meta-análise, de certeza muito baixa. A decisão pode ser, inclusive, não fazer o procedimento.

Quem estiver comparando opções pode ler a diferença entre toxina botulínica e preenchimento e o artigo sobre harmonização facial, que trata do rosto como conjunto.

Quando o preenchimento labial pode não ser indicado

Podem existir condições de saúde, medicamentos em uso e situações pessoais em que o procedimento não é indicado ou pede cuidados especiais. Por isso, na consulta médica tudo é analisado com atenção e em detalhes antes de qualquer decisão.

Vale perguntar ao médico qual produto registrado será usado, que reações são esperadas, o que fazer se algo fugir do previsto e como entrar em contato depois do procedimento. A consulta médica é o espaço para essas perguntas.

Perguntas frequentes

Qual é a proporção ideal entre o lábio superior e o inferior?

Não há medida única. Estudos descrevem relações médias, como 1 para 1,5 em pesquisa de preferência com 1.469 pessoas na China, mas os próprios trabalhos mostram que a percepção muda com o grupo, a cultura e o contexto da comparação.

O ácido hialurônico é permanente?

Não. Segundo a meta-análise de 2021, 46% dos participantes ainda apresentavam aumento da plenitude labial aos 12 meses, o que indica perda gradual do efeito.

Inchaço e hematoma são normais?

São os eventos mais descritos na literatura e, segundo os autores da meta-análise, em geral desaparecem em algumas semanas. Se houver dor intensa, mudança de cor da pele ou alteração na visão, o contato com o médico deve ser imediato.

Os lábios podem ficar desiguais ou com nódulos?

Nódulos e massas palpáveis no local aparecem na meta-análise em cerca de 27% dos participantes, e a assimetria é uma queixa que se discute na consulta. Reações de granuloma foram descritas em 0,6%.

A toxina botulínica também é usada nos lábios?

A revisão de 2026 descreve que ela produz uma discreta eversão do lábio. É outra abordagem, com outros riscos, e a escolha entre as opções é uma decisão médica.

Referências

  • Altman A, Higgs J, Shtraks J. Lip Rejuvenation Options in the Youthful Population. Facial Plast Surg, 2026;42(5):622-630. doi.org/10.1055/a-2895-2203
  • Sito G, Consolini L, Trévidic P. Proposed Guide to Lip Treatment in Caucasian Women Using Objective and Measurable Parameters. Aesthet Surg J, 2019;39(12):NP474-NP483. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30783659
  • Zhong B, Zhou G, Yang Y, et al. Evaluation of aesthetics of posed smiles based on smile-related characteristics. Oral Maxillofac Surg, 2025;29(1):71. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11928382
  • Alfertshofer M, Kempa J, Biesman BS, et al. The "Central Tendency Bias" in the assessment of facial attractiveness in group-based and individual ratings. J Plast Reconstr Aesthet Surg, 2024;92:264-275. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38582052
  • Mariwalla K, Fabi S, Belkin D, et al. Assessing the Lower Face: Lips, Chin, and Jawline. Dermatol Surg, 2025;51(12S):S23-S30. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41325036
  • Czumbel LM, Farkasdi S, Gede N, et al. Hyaluronic Acid Is an Effective Dermal Filler for Lip Augmentation: A Meta-Analysis. Front Surg, 2021;8:681028. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8377277
  • Myers B, Cohen JL. Reviewing the Role of Angiosomes in Filler-Induced Tissue Necrosis: Observed Patterns and Clinical Signs. Dermatol Surg, 2025;52(4):368-372. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40853008
  • Soares DJ, Bowhay A, Blevins LW, et al. Patterns of Filler-Induced Facial Skin Ischemia: A Systematic Review of 243 Cases. Plast Reconstr Surg, 2022;151(4):592e-608e. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36477154

Importante: este artigo tem caráter informativo e educativo. Ele ajuda a entender o tema, mas não permite diagnosticar, tratar nem decidir sozinho sobre a sua saúde. Cada pessoa tem uma história diferente: para analisar o seu caso, converse com um médico.

Informações conferidas com as fontes citadas. Última revisão: outubro/2026.

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